CLIENTE: QUE DIABOS É ISTO?

CLIENTE: QUE DIABOS É ISTO?

A palavra cliente tem sua origem no latim, cliens-entis, aquele que estava sob a proteção de um patrono.
As coisas mudaram muito desde então. O cliente hoje, é o patrão. Acontece que grande parte de suas demandas, ou não são bem claras ou ele tem uma visão incompleta de suas necessidades, no caso pior o arquiteto não consegue compreender claramente suas necessidades.
O primeiro fato é que não há no curso de arquitetura uma cadeira chamada ‘cliente 1.1” que seria uma forma de entender esta figura e melhor compreender e resolver seus problemas.
O cliente é complexo, difuso e confuso. Me lembro claramente trabalhando com Ricardo Badaró e Roberto Leme de um cliente para qual eles estavam desenvolvendo um projeto, térreo, quando a esposa do cliente pediu uma escada que ela havia visto na novela. Não houve quem a demovesse da escada. O projeto virou um imbróglio tão grande que o projeto não avançou. Num outro caso o cliente queria uma série de portas pois ele não queria que o filho tivesse acesso ao quarto dele. Ele pediu para colocar um terceiro pavimento, para poder colocar, um corredor e novas portas afim de dificultar o acesso.
O arquiteto se depara com estas questões no seu dia a dia e nem sempre estamos preparados para lidar com estes casos de maneira correta. As vezes os casos são mais simples, um problema técnico ou apego a velhas tecnologias. Tivemos um cliente que não queria trocar as lâmpadas da vitrine de sua loja que estava sendo reformada. A substituição por leds, explicamos nós, não tinha somente a função de economia, mas substancialmente a melhoria da visibilidade de seus produtos. É sabido que locais melhores iluminados podem alavancar em até 20% as vendas. Não é só isto.
Locais mal iluminados reduzem a capacidade e desempenho dos funcionários em até 15%, por hora! Junte-se a este ambiente, ruído, pó, temperatura, ventilação e iluminação e você começará a entender a baixa produtividade do trabalhador brasileiro. E tente explicar ao cliente estas consequências em relação as opções ofertadas pelo arquiteto. É raro que ele opte pela melhor. A opção é quase sempre a mais barata.
Uma conta simples, um projeto sem arquiteto pode levar o cliente a executar um programa maior do que ele precisa. Por exemplo, uma casa que poderia ter 200m² ter 220m², esta pequena diferença pode custar R$70.000,00., que é mais que o suficiente para pagar um bom arquiteto e sobrar ainda.
Como tudo nesta vida tem um lado bom e um ruim (menos o disco do Orlando Moraes). Há arquitetos que provocam gastos, desnecessários ao cliente. Mas estes são os maus profissionais.
A arquitetura deve ser clara, transparente e eficiente aos olhos do cliente, não há que se ocultar coisas para o cliente.
É o caso das famigeradas “RT”, reserva técnica. Que corresponde a um determinado valor que vai para o arquiteto que indicar ou comprar o produto numa determinada loja. Já se sabe que este tipo de oferta, além de representar uma falta de ética para com o cliente, representa uma falta grave da profissão passível de punição. A solução a meu ver é simples, aviso na porta, 10% de desconto para o cliente com arquiteto. Não há desconto para cliente sem arquiteto. A relação fica clara e transparente. E não prejudica o cliente. O arquiteto não pode viver às custas de RT, ao aceitar isto, desvaloriza o projeto e rebaixa toda a profissão. Não é um benefício a todos.
O cliente precisa entender que o trabalho custa e não há risco zero. Empresários do setor da construção precisam entender que o arquiteto é um dos seus mais valiosos ativos. Construtoras precisam entender que o arquiteto tem valor igual ou superior ao corretor (não é um julgamento de valor), pois é através de seu projeto que ele movimenta sua obra.
O desprezo pelo trabalho do arquiteto tem levado a uma desvalorização da profissão.
O cliente também é responsável por isto!


ARQUITETURA E A TECNOLOGIA 5G

ARQUITETURA E A 5G

Os arquitetos em geral se gabam de estarem na vanguarda das tecnologias. Não é isto que parece estar acontecendo agora. Estamos no limiar de uma revolução será comparável a invenção da imprensa ou a introdução da eletricidade em nossas casas. Entretanto poucos estão se dando conta dos impactos que as novas tecnologias terão em nossas vidas em pouquíssimos anos.
A pergunta é simples; arquitetos estão preparados para as inovações que estão ocorrendo? Nossas casas estão sendo preparadas para as tecnologias que deverão embarcar todos os aparelhos por nós utilizados?
A resposta é um sonoro NÃO!
Nossas casas e escritórios são mal adaptadas até para a eletricidade (que ao contrário do feng shui é a única energia que passa pela sua moradia). Não é incomum encontrarmos dormitórios com uma ou duas tomadas, somente. Arquitetos e engenheiros elétricos não se deram cota que todo nosso futuro é elétrico. Ou seja, a nossa casa e escritório será cada vez mais dependente da energia elétrica, seja ela fornecida pela concessionaria ou produzida localmente.
A revolução que se avizinha é a 5G, ela tem 100 vezes a velocidade da atual, tem baixa latência¹ e robustez o que significa que inúmeros aparelhos serão conectados sem que isto afete a rede. A habitação, seja ela moradia ou trabalho, deverá estar adaptada a ela. Sabemos que aquilo que está feito é mais difícil de se preparar, mas aquilo que está preparado barateia substancialmente as adaptações necessárias.
A comunicação e conexão será omnipresente, todos os aparelhos serão conectados, na chamada IOT (internet of Things, ou a Internet das Coisas). Para isto nossos habitáculos deverão estar condicionados as diretrizes de redes e comunicações. Isto em principio significa que teremos que revisar todas as instalações elétricas e de redes de nossas casas e escritórios. Até nossa rede hidráulica e de esgotos poderão estar conectadas, poderemos ligar e desligar nosso banho a distância, desligar uma torneira que esquecemos ligadas ou fechar a janela diante da eminência de uma chuva.
Arquiteto trabalha ou deveria trabalhar com o sentido etimológico da palavra projeto. Lançar a diante, prever, precaver para que seu projeto não seja apenas um fóssil arquitetônico.
Esta revolução afetará tudo e a todos e sem o preparo seremos atropelados por ela. Não temos o direito de nos afastarmos destas questões. Volto ao assunto em breve!

¹. Período de latência é o tempo de resposta dos equipamentos. Latência é o tempo que passa do momento em que as informações são enviadas de um dispositivo até que possam ser usadas pelo destinatário. A rigor, você andando, com seu carro, inexistindo outros, por uma avenida que todos os sinais estivessem abertos para você. As conexões passam a ser imediatas.


ARQUITETURA E A MÃE INGRATA

ARQUITETURA E A MÃE INGRATA

Não gosto nem um pouco de patriotismo, nem de patriotadas. Continuo achando que patriotismo é o último refúgio dos canalhas, como diz a frase impagável de Samuel Johnson, escritor e pensador inglês do século XVIII.

No caso aqui, a relação não é bem da pátria, mas com a mátria, e o problema é com um de seus filhos, onde inversamente à frase lapidar, o canalha é a mãe¹!

Mais especificamente, o tratamento de Campinas para com um dos seus mais ilustres filhos.

O arquiteto Fábio Penteado² , foi e é um dos grandes arquitetos do Brasil, autor de grandes obras³ , de importância incontestável em diversas cidades do Brasil e inclusive aqui em nossa cidade.
Campinas, pouca ou nenhuma atenção dá as obras deste arquiteto e num particular trágico, o Centro de Convivência. Obra dos anos 70 do século XX.

Contando um pouco a história, Fabio havia sido preterido⁴ (ficou em segundo lugar) num concurso, em 1966, para um Teatro de Ópera, que seria instalado no entorno da Lagoa do Taquaral (sobrevive insepulta, uma concha, dita acústica). Entretanto na Quadrienal de Praga de 1967, ele e sua equipe, ganham a medalha de Ouro da exposição (o que é bom para o mundo não é bom para a Campinas)

Há então uma movimentação para trazer o arquiteto para projetar um dos mais icônicos edifícios da cidade, o Centro de Convivência Cultural, que seria estabelecido na região do Cambuí, ao final da avenida Júlio de Mesquita, na praça da imprensa Fluminense, obra do século XIX.

Fabio foi destes arquitetos que valorizam a formação humanística e a preocupação social, vindo de família de posses, não voltou sua enorme capacidade criativa somente a aqueles que mais tem. Produziu obras de relevância, cujo conteúdo social, como raros, conseguiu traduzir em formas arquitetônicas.

A construção de um edifício escultura iria impactar a cidade, tanto positiva como negativamente. Alguns setores nunca se convenceram de que uma praça para o povo poderia ser pensada naquele lugar.

A obra está lá e em condições ESTRUTURAIS DE RISCO. Não há pelo poder público interesse na sua recuperação, e não há um político, entidade de classe, AREA ou organização que busque providencias para as condições alarmantes em que o edifício se encontra.

Já passou da hora, da Cidade, esta mãe ingrata, voltar seus olhos a seu filho talentoso, que produziu exemplos de uma arquitetura inclusiva, como não mais se vê na cidade.

O ministério público tão zeloso dos desmandos de prefeitos, deveria por suas mãos sobre esta questão e definir responsabilidades e deveres com este verdadeiro patrimônio arquitetônico.
Não me custa xingar a mãe, mas vou poupar-lhes!

¹ Antes que algum incauto venha me acusar de algo, aviso de antemão que sou mais campineiro do que muitos que nasceram aqui. Eu escolhi morrer aqui. Não nasci aqui, mas aqui, me formei, criei família e filhas. Meu trabalho está todo em Campinas.

² A ideia deste artigo me surgiu, meses atrás ao passar pelo Centro de Convivência, levando um grupo de estudantes de arquitetura para conhecer a obra do arquiteto. Nos jornais de hoje 27/02/2019 aparece a noticia de uma exposição em Portugal sobre a obra de Fábio Penteado. A cidade de Matosinha, na sua Casa da Arquitetura, faz uma homenagem ao arquiteto. Veja aqui: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/02/museu-portugues-homenageia-obra-do-arquiteto-fabio-penteado.shtml

³ Para estudantes que não sabem quem é: O tênis clube de Campinas, Sociedade Harmonia de Tênis, de 1964, o Hospital Escola da Santa Casa de Misericórdia — atual Fórum Criminal Ministro Mário Guimarães, ambos em São Paulo, e o Monumento de Playa Girón, em Cuba, de 1962. Retirado de Oculum ens. | Campinas | 10(2) | 229-241 | julho-dezembro 2013 A CAMPINAS DE FÁBIO PENTEADO | I.R. Giroto |231 1968

⁴ Para uma versão não sanguinolenta ver aqui: http://periodicos.puc- campinas.edu.br/seer/index.php/oculum/article/viewFile/2142/1788


MANUTENÇÃO

MANUTENÇÃO!

 

O brasil é um país refratário a manutenção. Em primeiro lugar a manutenção está em qualquer empresa na coluna errada dos custos. Ela está sempre em despesa. A manutenção, como me ensinou, um irmão engenheiro, na coluna dos investimentos, pois se investindo na manutenção há sempre um retorno positivo ao investimento.

A tv hoje cedo, 20/02/2019 anuncia dos fatos que fazem parte da tragédia cotidiana do brasileiro; um conjunto de prédios sob a ameaça de desabamento e a condição das pontes em SP.

No primeiro caso, como no segundo, decorrem de não de um fato único, mas da decorrência de inúmeros erros que acabam por compor um acidente (a palavra aqui está errada, acidente é etimologicamente aquilo que ocorre repentinamente, deriva de uma palavra latina accidere, cair). O filosofo Aristóteles definia como uma categoria não essencial a substância, ou seja, ele não pertence ao objeto. Ou seja, não deveria ocorrer naturalmente.

Mas os acidentes, não ocorrem ao acaso, são uma série de eventos que levam até o momento onde eles são irreversíveis e se desdobram em catástrofes. Quando elas ocorrem com os outros chamamos eufemisticamente de dados estatísticos, quando acontece com agente: tragédia!

Hoje comento apenas o dos prédios.

No caso dos prédios a baixa qualidade da construção brasileira, a falta de fiscalização, o mal-uso das técnicas e a baixa formação de profissionais se traduzem em obras cuja estabilidade não pode ser colocadas a prova. No caso desta obra no Morumbi, zona sul de são Paulo, 96 famílias correm o risco de verem seus apartamentos desaparecerem. É um problema de arquitetura ou não?

Tudo que diz respeito ao morar fala diretamente a arquitetura. Sou avesso a separação que se criou entre a arquitetura e engenharia. Sempre se pode aprender com os calculistas, eletricistas e especialistas em proteção atmosférica.

As causas alentadas, no prédio, são as de sempre, obras em terreno vizinho, ou a desculpa de que a construção obedeceu estritamente a lei.

O problema se estende a mais de 10 anos. As construtoras ainda não enfrentaram a fúria da lei que deveria ver estes casos (se não me falha a memória a lei fala sim, mas os juízes e advogados desconhecem) em que um erro de origem, ou seja um erro que está presente desde o nascimento da construção, não extingue a responsabilidade da construtora após 5 anos. Estes primeiros anos tendem a cobrir defeitos de materiais, más opções de qualidade e erros simples de construção. Não é o caso de erros estruturais ou de erro de adoção de fundações ou mesmo descuido nas proteções de arrimo e paredes confrontantes.

Normalmente arquitetos não se imiscuem nestas questões. Aqui acho que, deveríamos sim colocar a nossa colher, o que ajudaria evitar grandes prejuízos.

Anos atrás ao desenvolver um projeto para um dos grandes grupos educacionais do país, numa reunião conjunta, se apresentou o novo local dos estúdios do grupo. Somente esta parte do projeto tinha custos muito significativos, uma vez que receberia todos os equipamentos de gravações para os cursos on-line do grupo inteiro.

Uma pergunta simples, quem estava cuidando da proteção atmosférica, provocou um mal-estar geral. O responsável pela obra disse que o sistema de para-raios estava ok. Retruquei que para-raios não protegem e perguntei se ele sabia quantos raios caiam por ano no local por ano. Ele não sabia. Eu disse que não importava muito este número. O que importava era saber qual a probabilidade de um raio catastrófico cair. Indaguei se eles gostariam que fosse 10.000, 100.000 ou milhão de anos???? Ele considerou exagerado, e disse 10 anos. Uma década não confere segurança ao sistema e ele não sabia do que falava (na verdade nem eu, pois não sou especialista, mas graças a um grande amigo e especialista, eu podia oferecer estas indagações)

Nos trabalhamos mal com grandes números e dados estatísticos. O número parece excessivamente alto para um evento banal, um raio cair num para-raios. Acontece que o estúdio em questão abrigava equipamentos de custo altíssimo e a paralização de funcionamento implicaria em suspenção de trabalhos e cursos essenciais ao trabalho da empresa.

Quando falamos em, por exemplo, um milhão de anos, o número excede em muito a vida, inclusive do sapiens. Acontece que os cálculos não afirmam que o evento acontecerá no último dia do prognóstico. Ele pode ocorrer no primeiro, inclusive. Assim quão maior for o tempo decorrido para a ocorrência do evento tanto mais seguro estarão os equipamentos.

Arquitetos podem e devem entrar em questões de obra sim, possibilitando, com seu conhecimento multifacetado, ajudar a melhorar as condições gerais das obras.

rachaduras do prédio

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INDUSTRIA 4.0 E OS IMÓVEIS

INDUSTRIA 4.0 E OS IMÓVEIS

A confiança foi a base para a constituição de uma das mais persistente forma de negócio criada pelos seres humanos; o dinheiro. No século VI AEC, numa região onde hoje se encontra a Turquia, Creso, o rei da Lídia, propõe a cunhagem de moedas, uma forma revolucionaria de comercializar bens e propriedades. O mercado nasce ali.
A confiança deriva do fato de se crer que a aquele pedaço de metal, seja ele ouro, prata ou cobre, seja a referência confiável a um valor abstrato. Esta crença possibilitou o nascimento do papel moeda, cujo valor é na verdade a crença de que ele vale algo e que este valor é aceito por todos, indivíduos, empresas ou países.
Antigamente (isto já no século XX) o valor correspondia a uma determinada quantidade de ouro depositado na Casa da Moeda. Esse valor hoje é submetido a variações do mercado, sendo que ele estabelece o quanto vale.
Portanto a confiança é peça fundamental nas negociações humanas. Sem ela não poderia haver os negócios, o comercio nem um capitalismo.
É preciso lembrar que a escrita nasce não do desejo de se contar histórias, mas na necessidade de contar coisas e dar uma relação social aos bens. A escrita se inicia, na contabilidade e não na literatura. O Código de Hamurabi, um dos mais antigos conjuntos de leis, trata a propriedade de imóveis e de outros objetos, não só no sentido, de expressar a sua propriedade por alguém, mas a decorrência que aquele bem tinha em seu meio social.
Numa das primeiras tabuletas de barro encontradas havia uma expressão: vivemos épocas de grandes transformações. Essas transformações foram as grandes revoluções que trouxeram a humanidade até o estágio atual.
Agricultura, dinheiro, imprensa, o vapor, a eletricidade e os computadores representam estas grandes transformações. Agora mais do nunca essas profundas e radicais alterações das estruturas de comercio e mercado estão se alterando em velocidades estonteantes.
Dentre essas revoluções em curso, uma que pode impactar de forma mais disruptiva e abrangente é a Industria 4.0.
INDUSTRIA 4.0 é uma revolução, disparada a partir de 2011, na Alemanha inicialmente e posteriormente em outros países.
Essencialmente trata-se da aplicação das inovações obtidas nos últimos anos, IA (inteligência artificial), nanotecnologia, computação nas nuvens, bigdata, blockchain , IOT¹ (Internet of Things, Internet das Coisas).
Essas aplicações são tomadas não mais separadamente, mas em conjunto e em tempo real.
Tudo e todos serão afetados a curto, curtíssimo prazo. E as chances perdidas não serão recuperadas.
Como todos os campos serão afetados, os imóveis, suas negociações de compra e venda, valores e registros serão alteradas de maneira profunda em pouquíssimos anos.
É assustador a falta de atenção dos governos em todas as esferas e as atuações privadas são bastante modestas para a envergadura e a dimensão do país.
Por um paradoxo, os imóveis são exatamente aquilo que a etimologia diz; aquele que fica parado, sem movimento. A natureza desta revolução é exatamente ao contrário, extremamente dinâmica e instantânea.
As inovações estão ocorrendo em todos os campos e as oportunidades estão cada vez mais ao alcance das mãos, ou melhor aos toques do teclado. Praticamente toda e qualquer operação pode ser dinamizada através de algoritmos e dos aplicativos que vão direto aos smartphones.
A compra e venda de imóveis não está fora do alcance desta revolução. É realidade em alguns países e em breve deve bater as nossas portas.
IA e a tecnologia Blockchain vão revolucionar a forma como vendemos e compramos os imóveis. Entender um pouco destas tecnologias é uma forma efetiva de proteger os negócios. E aqui vai um alerta, por vezes achamos que estas transformações vão demorar a se abater sobre nós. Veja o caso do sapateiro. De forma muito rápida esta atividade acabou por desaparecer. Restam uns poucos abnegados. Os taxis estão enfrentando uma concorrência absurda e olhando um futuro muito próximo a tendência e o seu desaparecimento.
Os advogados terão um mercado extremamente reduzidos pela IA. Hoje alguns escritórios, já no Brasil, utilizando esta tecnologia, demitiram, num caso, 150 profissionais substituindo por análises feitas por algoritmos que podem em segundos analisar milhares de casos e encontrar a melhor forma de proceder no caso. Ao advogado resta dar redação final e acompanhar o caso.
A disponibilidade de dados em grande escala, os “bigdata” serão outra forma de se ver os compradores e os imóveis. A possibilidade de varrer informações e encontrar entre milhares de opções a melhor para aquele determinado cliente irá impactar de maneira definitiva a compra e venda.
O blockchain é uma tecnologia de livro razão, ou seja, todas as transações são feitas pelas partes e não há terceiros. Ela oferece alta confiabilidade, segurança, acompanhamento de toda as transações, desburocratizada, sem interferência de terceiros (cartórios, bancos e governos) imunidade e rapidez
Esta tecnologia irá disruptir [sic] com o modelo que os cartórios atuam pois ela age como um livro de contas digital, confiável, imutável, visível para todos os participantes, que mostra todos os elementos da transação de forma transparente e por um custo extremamente barato.
As transações imobiliárias têm uma dependência de uma rede de confiança que bem ou mal vem funcionado a séculos. Mas isto está prestes a sofrer uma reviravolta de proporções catastróficas.
Assim como advogados, agentes de seguro, funcionários bancários os corretores e tabeliões correm o risco de um desaparecimento total. No caso dos tabeliões não vão deixar saudades.
A utilização do blockchain e das chamadas criptomoedas vão levar o setor, em pouquíssimo tempo, a condições de alto risco.
A revolução da INDUSTRIA 4.0 tem uma característica própria das revoluções que é a chamada destruição criativa, que é, o desaparecimento de uma atividade e sua substituição por outra. Outra característica é sua disruptutividade, ou seja, a capacidade de destruição instantânea de uma atividade. Os agentes não foram ou não serão capazes de enfrentar esta mudança, se não estiverem se preparando desde já.
As empresas têm um quê de ludismo , são refratárias as modificações sejam elas, pequenas ou grandes. Acontece que esta revolução não se dá em pequenas escalas, elas são mundiais, atemporais, sem fronteiras e sem regulações governamentais. Em relação a esta última, vale dizer que, sem regulação diz respeito a formas de controles que neste caso, são muito mais amplas e democráticas.
É urgente, portanto, que as empresas imobiliárias estejam cientes da proximidade destas alterações afim de preservar seus negócios. Elas precisam estar preparadas para novas formas de negociar e novas formas de firmar seus empreendimentos para que no futuro não desapareçam.

1. Bigdata é a disponibilidade imensa de dados coletados por sensores que podem ser analisados usando algoritmos estatísticos capazes de fornecer bases de rastreamento de atividades de pessoas, dados ou objetos. A blockchain (também conhecido como “o protocolo da confiança”) é uma tecnologia de registro distribuído que visa a descentralização como medida de segurança. São bases de registros e dados distribuídos e compartilhados que têm a função de criar um índice global para todas as transações que ocorrem em um determinado mercado. Funciona como um livro-razão, só que de forma pública, compartilhada e universal, que cria consenso e confiança na comunicação direta entre duas partes, ou seja, sem o intermédio de terceiros. Está constantemente crescendo à medida que novos blocos completos são adicionados a ela por um novo conjunto de registros. Os blocos são adicionados à blockchain de modo linear e cronológico. Cada nó – qualquer computador que conectado à essa rede tem a tarefa de validar e repassar transações – obtém uma cópia da blockchain após o ingresso na rede. A blockchain possui informação completa sobre endereços e saldos diretamente do bloco gênese até o bloco mais recentemente concluído. OIT a internet das coisas é a conexão de objetos em tempo real, possibilitando o acesso a tudo e a todos.
http://blog.mercatorio.com.br/2018/07/26/a-blockchain-vai-acabar-com-os-cartorios/. Luiz Neto, líder do Corporate Innovation no Vale do Silício.

2. Criptomoedas são moedas digitais, tais como bitcoin e etherium.

3. O ludismo foi um movimento dentro da revolução industrial inglesa que se opunha a mecanização dos teares. Foram suplantados e passaram ao rodapé da história.


ARROGÂNCIA E ARQUITETURA

ARROGÂNCIA E ARQUITETURA

A folha de hoje 18/02/2019 traz um artigo sobre a reforma da antiga loja de moveis, ícone dos anos 80 e 90, Forma, projeto de Paulo Mendes da Rocha, prêmio 2006 Pritzker de arquitetura.
Aldo Urbinati, conduziu não so o projeto, mas também a arrogância em tratar um projeto caro a memoria de qualquer arquiteto que tenha alguma paixão pelo mobiliário.
Quando eu dava aula, costumava alertar aos estudantes que sua primeira lição de arquitetura deveria ser a insignificância. Arquitetos, somente os famosos desfrutam da memória. O resto desaparece na poeira da história. Quantos prédios, quantas casas passamos ao largo sem saber quem projetou, quem construiu.
Qualquer obra de arquitetura esta sujeita as mãos de outros arquitetos ou de outras ações. O Parthenon resistiu por séculos, e grande parte dele veio abaixo não pela ação do tempo, mas por ter se tornado um deposito de munições que explodiu em 1687, quanto foi atingidos por tiros de canhões.
A obra de qualquer arquiteto, em certa medida, não é uma obra intocável, ainda que alguns queiram imagina-las assim.
O tempo é um corrosivo terrível para a obra arquitetônica, que por vezes tem que ser adaptadas ao momento.
O que mais incomoda na reportagem, é a arrogância do jovem arquiteto a querer disputar com o grande arquiteto. “Queria uma espécie de embate franco”, nas palavras dele. Bobagem de criança. A mão ao telefone resolveria a questão.
Há alguns anos atrás fomos chamados para complementar um setor num cemitério em campinas, obra do arquiteto Gilberto Paschoal, pouquíssimo valorizado, e de grande competência técnica. Passamos a mão ao telefone e solicitamos uma reunião. Explicamos que iriamos desenvolver uma nova área de velórios, e queríamos o projeto dele para dar sequência. O arquiteto nos perguntou por que? Respondemos que o projeto dele era muito bom, não havia necessidade de criar uma outra obra para competir com a dele. Ele ficou impressionado. Nunca esperou isto de jovens arquitetos (éramos jovens ainda).
Há participações de arquitetos que engradecem a obra, mesmo fazendo algo completamente fora do esperado. O próprio paulo mendes fez isto na pinacoteca do estado, onde sua intervenção conversa com a obra de outro arquiteto, Ramos de Azevedo (com quem obviamente ele não poderia ligar!!!). o arquiteto chino-americano Ieoh Ming Pei fez isto a frente do museu do Louvre, engrandecendo a obra do primeiro grande museu do mundo.
Assim não é a intervenção que destrói a obra arquitetônica, é a arrogância e falta de modéstia que invalida a intenção de um jovem arquiteto em busca da relevância. O tempo passará e Paulo Mendes da Rocha ficará, o rapaz, como é mesmo o nome dele?


MÚSICA E ARQUITETURA

MÚSICA E ARQUITETURA

Na folha de S.Paulo de 16/02/2019 há um artigo interessante sobre música. Vale a pena ler.
No escritório há alguns anos se estabeleceu uma guerra pelo som. Há idiossincrasias pela música eu sei. Mas vejo a música de forma diferente de quem, em geral trabalha comigo (escute aqui o que eu ouço¹ )
O artigo ressalta as virtudes da música instrumental, que eu não acho de toda mal. Gosto, mas não para ouvir!
Não sabemos exatamente porque gostamos de música, é muito provável que seja pelos padrões harmônicos, ou não, que ouvimos. O ser humano é obcecado por padrões e a música é cheio deles.
Extrapolando um pouco, as ideias de Semir Zeki, um neurobiólogo, que defende a tese de que pintores são neurologistas natos, pois produzem diretamente para o cento de prazer (ou do desprazer) de seus admiradores. Explico, tudo o que vemos, ouvimos ou sentimos é processado pelo nosso órgão superior: o cérebro. Lá não entra nada, só circulam sangue, impulsos elétricos e glicídios. Não entra, pintura, fotografia imagem, som ou qualquer outra coisa. Não entra, nada, absolutamente nada! A semiologia diz que a única coisa que entra além destas substâncias, são os signos. Assim tudo o que temos, são invenções do cérebro, criações magnificas deste órgão, muito estudado e ainda pouco compreendido (por mais que tenhamos tido avanços enormes no século XX e XXI, ainda estamos longe de uma compreensão total, das funções e capacidades cerebrais).
Os músicos, portanto, tem também estas características. Ou seja, produzem para o cérebro e não diretamente para nós.
De que forma funciona?
O cérebro reage a todos os estímulos sejam eles internos ou externos. E a sua reação a eles, “forante” a nossa cognição, entendimento, memoria e outros sentimentos são mediados por substâncias hormonais, adrenalina, serotonina, testosterona, noradrenalina e dopamina² (entre muitas outras).
São estas as substâncias que nos dão a noção de gosto disto e não gosto. Estas entidades são manipuladas em locais distintos no cérebro, e independente da cultura formação ou educação, tudo que gostamos se aloja num local e o que não, em outro.
A música não escapa disto. E tem um efeito, que é o gatilho para todas as sensações que temos ao ouvir música. No artigo, eles falam de músicas calmas e quando é preciso de um pouco de empenho, eles usam uma música “mais pesada”. Por que?
As músicas mais calmas estimulam a produção de substâncias que nos dão prazer e bem-estar, destacadamente serotonina e dopamina. Mas nas músicas mais pesadas, como metal e rap, entre outras, uma substância entra na parada, adrenalina!
A adrenalina é o neurotransmissor da coragem, da violência, da ação esportiva e dos ímpetos criativos, portanto é uma substância que o cérebro gosta para agitar. Assim dependendo de cada momento há um tipo de música para estimular o trabalho.
AUMENTA QUE ISSO É ROCK AND ROLL!!!!

1.https://open.spotify.com/user/paulodetarso54/playlist/2M4OunTQzm5gZaimhcFzWg?si=NmF7mGsLST-XxY34ZZpUJw

2.Dopamina é um neurotransmissor no cérebro-é produzido em resposta a recompensa para as atividades humanas e está ligado a ao reforço e motivação-isso inclui atividades que são biologicamente significativas como se alimentar e sexo. Ver mais aqui: https://www.bbc.com/news/health-12135590


O CLIENTE, QUE DIABOS É?

O CLIENTE, QUE DIABOS É?

A palavra cliente tem uma origem etimológica curiosa: ela deriva de “cliens”, palavra latina que designava alguém que estava sob a proteção de um patrono .
Seu significado mudou muito desde então. E principalmente, para arquitetos . Hoje o cliente é o patrono, mas isto não significa que haja proteção.O cliente é a fonte de seus recursos e procura-se atender aos seus desejos. Mas seus desejos são legítimos do ponto de vista da arquitetura?
A resposta pode ser dúbia. Por um lado, o cliente tem todo o direito de pedir aos arquitetos o que deseja como moradia, ponto comercial ou instalação industrial. O problema é saber se o cliente sabe exatamente o que quer? Do outro lado, os arquitetos, em tese, sabem mais sobre o espaço do que o cliente, exatamente por isso é que o cliente solicita aos arquitetos o desenvolvimento de projetos. Aí é que temos um impasse.
Como cliente, imagine-se dirigindo-se ao médico e dizendo que você pretende fazer uma cirurgia, por exemplo de apêndice, mas como não é o especialista, você gostaria que ele fizesse a operação. Mas você quer que ele faça não pelas vias convencionais, mas sim vindo das costas para a frente, começando perto do pescoço e chegando até a região abdominal. Pode ser que o paciente não se assuste, mas o médico sim.
O mesmo acontece com arquitetos!
Sim as pessoas entram nos escritórios e pedem o que por vezes e não raras coisas que parecem com o exemplo acima. Nos já tivemos cliente querendo a construção de shopping em formato de coliseu! Tentamos nos aproximar de seu desejo, mas em vão. Nas palavras dele: Não foi isso que eu mandei vocês desenharem! A conversa não acabou bem. Seria mais esqueleto na paisagem. Nosso nome seria lembrado, o dele, não.
Assim o cliente tem desejos e sonhos, mas os arquitetos é que ficam com os pesadelos (o contrário também é verdadeiro, e já já falaremos disto), acontece que muitos destes sonhos são irracionais. Já tivemos a chance, de inúmeras vezes, notar que o cliente quando chega com o desenho de uma casa que ele deseja, em geral, é a mesma casa onde ele mora, só que maior. A pergunta que se faz é; precisa? Em geral não.
Meu sogro, sempre dizia que ninguém precisa de uma casa de mais de 200m² (é muita área!) e ele morava numa casa de 800m². Certa vez, próximo ao fim da obra, desta mansão, ele perguntou ao arquiteto, por que estava ficando tão cara a obra. Ele havia acabado de descobrir que a obra tinha 800m². O arquiteto lhe falou que se ele soubesse que era tão grande e cara, ele não a faria. Isto mostra a irresponsabilidade entre os dois. O cliente e o arquiteto. Havia partes da casa que nunca haviam sido utilizadas e a lareira não funcionava.
O cliente, me perdoem, mas na maioria dos casos, não sabem o que querem. É normal que seja assim, vivemos num mundo complexo e de especialistas, não temos acesso a tudo. Ele vive do passado e do presente, só que ele irá morar no futuro. A obra não é instantânea. A casa, o escritório ou a fábrica, nascem, crescem envelhecem e eventualmente morrem.
O cliente não pensa que a casa deva se modificar como ele e sua família, se modificam. Ele é imune a reflexão de que a casa deve evoluir com ele. É nosso papel tentar convence-los de que há algo melhor para ele. Sempre há.
O cliente é a fonte dos recursos, que todo e qualquer escritório ou arquiteto precisa, mas é importante orientar nossos clientes que podem e devem aprender algo novo, como nós, que temos o dever de fazê-lo. Nós trabalhamos com algo chamado projeto , ou seja, algo que está à frente, no futuro.
Mas porque diabos estamos projetando para o passado?
Grandes erros cometem aqueles que depois de formados, param de estudar e pesquisar. Seja porque razões forem. O estudo da arquitetura não termina passado 5 anos (que convenhamos é uma embromação, longa!).
Devemos estar atentos as modificações temporais de nossas demandas por espaços. E isto ocorre em todos os âmbitos. As moradias se tornaram péssimas maquinas de se morar. Os espaços de trabalho idem. Portanto urge que tomemos as rédeas do projeto e que possamos escolher e decidir o que é bom em termos de projetos, como os médicos fazem. Nos somos técnicos especializados no espaço. Que o cliente deve entender e respeitar. Os resultados serão melhores para todos.


"TIOPATINIZAÇÃO" DA ARQUITETURA"

“TIOPATINIZAÇÃO” DA ARQUITETURA”

-Um amigo alertou: não escreva sobre arquitetura! Esta não é sua especialidade!
-Ao que eu respondi, de fato, minha especialidade é o inferno. Bom, dane-se, é a mesma coisa!

Ao iniciar este artigo, busquei uma palavra que pudesse descrever a situação de um tipo de arquitetura em minha cidade. Eu ia utilizando a palavra “fenômeno” phaenomenon, que por sua vez deriva do grego φαινόμενον (o que se mostra a si mesmo). Mas acabei achando uma palavra melhor para a descrição, catástrofe!
A arquitetura de Campinas, passa por uma fase das mais difíceis. A retração econômica a partir dos últimos anos, mais uma série de ERROS, tem provocado este desastre.

Mas que erros seriam estes?
Temos visto crescer nos condomínios um tipo de arquitetura, que a nosso ver representa uma coleção infindável de erros e enganos na arquitetura. Não é o objetivo deste artigo procurar culpados, mas entender como se deu a catástrofe.
Espalhou como praga um tipo de arquitetura que aqui vamos chamar de “tiopatinização” ou “banquerização” que é a construção de residências, como se fossem bancos. Numa descrição rápida, uma caixa de vidro que serve para a inserção da escada, permitindo que todos possam acompanhar a subida dos moradores ao segundo piso, ou a gerencia. Ao lado, um amplo estacionamento para 3 ou 4 carros cobertos. A porta de acesso, em geral em grandes proporções como se fossem mesmo a porta de um banco.
Este modelo, em grande parte, deriva da fachada especifica de um banco, o Personalitté do Banco Itaú.
O banco Itaú na sua fusão com o Unibanco, em outubro de 2010, tem um conflito com ações especificas dirigidas aos clientes de maior poder aquisitivo. O Itaú Personalitté foi criado exatamente para atender esta demanda, e se diferenciar de um atendimento dado pelo Uniclass, um serviço mais comum, e utilizado pelo Unibanco. A segmentação de clientes criadas a partir do ano 2000, se insere na estratégia bancaria de valorizar os clientes com maiores ativos e potenciais de lucros.
Este serviço atendia pessoa com renda acima dos R$ 7.000,00(sete mil reais). O Personalitté passou a tingir um patamar levemente acima, para pessoas na faixa dos R$ 10.000,00(dez mil reais). Para demarcar visualmente esta situação foram criados projetos que visavam diferenciar-se das tradicionais fachadas bancárias. O banco se voltou para as residências. Ou seja, um banco com cara de moradia. Este estilo condizia mais com a inclusão, cada vez maior de parcelas da população com maior renda. Você iria ao banco e se sentia em casa.
O erro começa quando os arquitetos querem fazer o caminho inverso. Morar como se vivesse em um banco. A sucessão de erros, foi criar uma gramática visual, baseada na ortografia bancaria.
Em paralelo a isto, uma nova característica de uma sociedade extremamente conectada; o exibicionismo, qual seja, expor a vida íntima a todos, de forma a marcar uma neurose narcisista e uma maneira, quase doentia, de expor seu poder. As vítimas já são conhecidas.

Quem são as vítimas?
As vítimas deste modismo, em primeiro lugar, são os próprios clientes e o que é pior é que eles pagam por isto.
Em segundo lugar a arquitetura como um todo. Campinas já foi reconhecida pelo colonial meloso que imperava na cidade em torno dos anos 60 e 70, do século passado.

AS GARAGENS

Como compreender que se gaste tanto, na construção de garagens frontais, para a guarda de veículos?
A décadas a indústria automobilística desenvolveu e desenvolve produtos e características especiais de revestimento para seus veículos. Além do fato de que eles passam grande parte de seu tempo expostos a intempéries e ao sol de um pais tropical. A garagem é utilizada para proteger o veículo do sereno! Não é meigo?
O que se esconde por trás deste erro, é a simples vontade de ostentação de massas de pessoas, que agora tem acesso ao dinheiro, mas não teve acesso a formação e a informação.
Arquitetos igualmente desinformados atendem avidamente este mercado, sem a menor reflexão ou culpa. Entrego o sonho do cliente! Mentira o que entregam é um verdadeiro pesadelo arquitetônico.
Toda casa é um sonho de seus moradores. Eles investem tempo e dinheiro na obtenção de uma casa que tenha os atributos BELEZA, CONFORTO E SEGURANÇA. Para se compreender melhor é preciso analisar estes 3 conceitos e ver como se eles se encaixam.

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URBI ET ORBI[1]

 

Alguém me perguntou sobre qual seria a cidade mais antiga do mundo?

Aparentemente esta seria uma pergunta fácil para um arquiteto responder, bastaria recorrer a memoria de alguma aula de história da arquitetura para que a resposta estivesse lá. Mas a memoria é traiçoeira. Nem sempre se apresenta quando mais precisamos dela.

A pergunta, se referia a Jericó, se ela seria a mais antiga cidade do mundo. Seria?

Para responder duas coisas precisam ser observadas. A resposta possui duas categorias; a religiosa e a histórica.

Na religiosa, nem sempre é bom lembrar, que as cidades são uma criação Caim, o famigerado irmão assassino de Abel.

“E conheceu Caim a sua mulher, e ela concebeu, e deu à luz a Enoque; e ele edificou uma cidade, e chamou o nome da cidade conforme o nome de seu filho Enoque”; Gênesis 4:17

Portanto a cidade do ponto de vista da religião, as cidades, guardam em si uma maldição, a de ter vindo de alguém condenado a vagar pelo mundo e amaldiçoado por Deus:

E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama a mim desde a terra. E agora maldito és tu desde a terra, que abriu a sua boca para receber da tua mão o sangue do teu irmão. Gênesis 4:10,11

Caim após sua expulsão por Deus foi viver num local conhecido Nod Ou Ninrode[2], possivelmente um reino onde se reuniam diversos locais citados na Bíblia tais como Babel, que estaria entre estas cidades. A religião fornece ainda outros nomes Jericó, Ur, Sidon, Sodoma, Tiro, Jerusalém, Belém entre outras (há mais de 40 cidades citadas[3]). Principalmente as do Velho Testamento são as mais antigas. Duas podem ser destacadas Jericó e Ur.

Jericó normalmente está na lista das mais antigas, com idade variando entre 9.000 AEC[4], o que traria a data de sua criação para 11.000 anos atrás.

É preciso atentar ao fato de que as fontes baseadas na Bíblia e principalmente no Velho Testamente são cidades que de alguma forma tinham um relacionamento com a cultura judaica. Eles não estavam preocupados em apontar a cidade mais antiga.

O problema de Jerico é estar um pouco longe de onde a arqueologia aponta como as primeiras aglomerações que surgiram, ou seja, o Delta do Tigre e Eufrates. Os locais distam em linha reta 750 km, mas impossível de ser feita assim. Sua distância dobra praticamente para se desviar de rios, montanhas e outros relevos.

Jericó está a 27 km de Jerusalém, e as primeiras aglomerações parecem ter sido na região conhecida como Mesopotâmia (entre rios em grego). É certo inclusive, que outras aglomerações se tornaram cidades na região da Anatólia, atual Turquia.

Os verdadeiros criadores das cidades se chamam “homo sapiens” e são a nossa espécie. E surgiram há 200.000 anos atrás.

Mas ao surgirem não criaram as cidades de imediato. Por mais de 180.000 anos viveram como nômades e caçadores coletores. Partiram da África em direção a uma região chamada de Crescente Fértil, situado na região já citada da Mesopotâmia.

Existe um aspecto curioso nos agrupamentos de sapiens, como qualquer agrupamento de mamíferos e animais, o grupo é contido em sua coesão até um numero mágico de 160 indivíduos (curiosamente o mesmo número de pessoas que devem comparecer ao seu funeral) após este número há uma natural divisão ou dispersão em numero menores, isso explica a divisão de caçadores coletores quando atingem este número.

Como então a cidade é possível? Quando os caçadores coletores tomaram a decisão de se fixarem em um local, surgem outros aspectos que trabalham a favor da coesão. O primeiro aspecto modificador é o excedente agrícola, que juntamente com a propriedade cria uma variação do comercio, mais complexo do que a simples troca, introduz a figura do chefe, líder ou imperador, capaz de pela força estabelecer a coesão do grupo em proveito próprio. O segundo aspecto é a religião, que a partir de seus ritos e crenças atua fortemente sobre o controle social e cria forte laços de pertencimento ao grupo, uma forma de cola social.

As mais atuais pesquisas arqueológicas apontam uma outra região como potencialmente a cidade, ou agrupamento mais antigo, Çatalhöyük (pronuncia-se” ʧɑtɑl højyk”algo como parecido com Cataliuquie).Situada na Anatólia região da atual Turquia.

Assim ainda está para surgir a cidade mais antiga do mundo, uma vez que para isso foi preciso que os homens se parassem e demorassem em algum lugar. Eles nunca pararam!

 

[1] Urbi et Orbi ("à cidade [de Roma] e ao mundo") é a benção de Páscoa e Natal, com as quais o Papa se dirige ao público em geral na Praça de São Pedro. A expressão latina se refere a cidade e ao mundo.

[2] Nod ou Node é o nome bíblico dado ao lugar onde Caim passou a viver depois de ter matado Abel (Gênesis 4:16) e que pode significar uma abreviação de Nimrod. Sendo assim, e considerando que a geografia da Mesopotâmia possa ter sido alterada depois do dilúvio, é possível que a referida localidade corresponda à Babel ou à Assíria. Também pode ser definido como a terra da Fuga. Segundo a Bíblia, o reinado de Nimrod incluía as cidades de Babel, Ereque, Acádia e Calné, todas na terra de Sinear ou Senaar (Gênesis 10:10). Foi, provavelmente, sob o seu comando que se iniciou a construção de Babel e da sua torre. Tal conclusão está de acordo com o conceito judaico tradicional. https://www.wikiwand.com/pt/Nimrod

[3] Cidades são diferentes de lugares na bíblia há mais de 150 lugares indicados, nem todos claramente, ou por mudança de nome, por dificuldade de localização ou simplesmente por que desapareceram.

[4] AEC Antes da Era Comum, é uma forma mais inclusiva do que A.C e D.C., uma vez que judeus e muçulmanos não aceitam esta referência, e mesmo que tenham por Cristo respeito, a datação de alguma forma incomoda as outras religiões. Os cientistas pesquisadores preferem AEC e EC por serem mais inclusivas.