O AMBIENTE DE TRABALHO

 

 

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Conta uma velha lenda que arqueologistas descobriram na região da antiga Babilônia, placas de barro cozido, com detalhadas inscrições cuneiformes. Ao traduzirem, nas primeiras linhas estava inscrito: vivemos um período de transições!

A frase ainda ecoa, passados 50 séculos. Vivemos ainda hoje períodos de grandes transições. E no presente encontramos ainda mais densas e profundas modificações.  O mundo está prestes a viver aquilo que se chama a 4ª Revolução Industrial. A rigor poderia ser a 5ª ou a 6ª, tivemos revoluções importantes na pré-história, a pedra lascada, que permitiu o desenvolvimento de ferramentas, e sem dúvida, modificou o estilo de vida e proporcionou enormes ganhos a civilização.

Alguém poderia dizer que estas não foram revolução industriais. Em nosso socorro a etimologia pode esclarecer este assunto. A palavra indústria é formada pelos prefixos latinos indu (que significa: em seu interior, dentro) e pela raiz do verbo struo (construir, organizar fabricar) e completado pela partícula de qualidade -ia. Designa hoje as atividades humanas destinadas as obtenção e transformações dos elementos naturais em elementos do consumo.1

Entretanto sua acepção mais antiga, diz que indústria significa dedicação e laboriosidade (trabalho) e também engenho e sutileza (no sentido de inteligência e aplicação de artifícios no sentido de obter um resultado), ou seja, indústria é também o fato de que buscamos uma solução melhor a um problema apresentado.

Assim vivemos em constante transformações.

As revoluções ditas industriais têm um impacto maior pois se espalham sobre todos os campos. E as últimas revoluções tiveram um impacto enorme na nossa vida. A revolução industrial propriamente dita, iniciada do século XVIII e XIX e a revolução digital do Século XX. Entretanto estamos no limiar de uma outra revolução que terá um impacto ainda maior do que suas anteriores, a Industria 4.0.

Vamos nos lembrar que a revolução industrial que teve seu ápice no século XIX e quem viveu, sofreu suas consequências, mas não as entendeu. Elas ocorreram num tempo relativamente longo, para nossos padrões atuais. E mesmo assim, tiveram um poder de transformar todas as concepções anteriores, sejam elas no âmbito, dos ambientes de trabalho, sejam na vida social e econômica. Agora vivemos algo que em certa medida é pior e maior. Vivemos um período de transição mais difícil. Dada a velocidade das mudanças e nossa pouca capacidade de interpreta-las, elas podem ser diferentemente do passado, mais extensas e mais profundas. Nós estamos vivendo algo que não sabemos exatamente o que é e não sabemos suas exatas consequências. Grande parte das pessoas não consegue se movimentar pelas modernas tecnologias digitais, enquanto outros fluem com absoluta naturalidade pelo meio.

 

O celular que compramos ontem amanhece ultrapassado. As transformações ocorrem em velocidade digital, ou seja, a velocidade da luz. Essas transformações, dada sua velocidade são de difícil assimilação e compreensão. Portanto é fundamental que elas sejam analisadas e compreendidas na sua devida dimensão. E que se possa ter ferramentas de domínio para sua melhor utilização.

Dentro nos ambientes de trabalho, excetuando-se os grandes, dificilmente ou raramente elas são pensadas, analisadas e projetadas para a melhor prática.

Os ambientes de trabalho na sua maioria não evoluíram muito do que se tinha nos anos 80, antes dos computadores e tecnologias digitais invadissem a vida do trabalho. Assim há pelo menos 6 focos de preocupação no que tange o ambiente para se consiga uma melhor eficiência, conforto e produtividade.

As condições dos ambientes de trabalho, em geral, são tratadas no âmbito da arquitetura corporativa e raramente avançam sobre outros campos. A parte de produtividade e eficiência é tratada no departamento de RH e dificilmente leva em conta os aspectos arquitetônicos com a relevância que deveriam ter.

O ambiente de trabalho

Tem sido foco de estudos nos últimos anos o ambiente de trabalho. É sabido que as condições do ambiente de trabalho têm um impacto grande sobre a produtividade e eficiência.

Estima-se que condições adversas do ambiente possam contribuir numa diminuição da eficiência em até 20% por hora por funcionário.

Que condições são essas capazes de interferir?


É A ARQUITETURA, ESTÚPIDO!

Quando James Carville, em 1992, durante a campanha presidencial de Bill Clynton, criou a expressão “É a economia, estupido” ele estava se dirigindo a autoridade máxima do pais, para chamar a atenção para o principal problema do pais.

A brincadeira na frase lá em cima, tem a mesma intenção, mas não ao dirigente do pais(ainda que ele mereça, assim como todos os outros)mas a uma instancia menor dos poderes que pode ser o RH de uma empresa.

Nota-se a tempos, que a produtividade do trabalhado brasileiro é muito baixa comparada a de outros países, mesmo nos casos onde se comparam economias semelhantes. Em um artigo publicado pelo jornal digital nexo[1], o brasil produz 75% menos que um americano, ou ¼ do que o trabalhador americano produz.

Ao olharmos para as empresas elas parecem pensar no trabalhador como a causa desta baixa produtividade, muito raramente se debita a arquitetura como uma fonte destes problemas.

O Rh pensa que a arquitetura é neutra, é apenas um dado bruto, ao qual eles não imputam responsabilidades. Aí sim podemos dizer é a arquitetura estupido!

A neutralidade da arquitetura por vezes é algo até almejado, na maioria das vezes acontece ao contrário.

Como diria o esquartejador, vamos por partes:

Podemos elencar ao menos 11 pontos sensíveis no ambiente de trabalho:

  1. Ruído
  2. Temperatura e ar condicionado
  3. Cor
  4. Iluminação e insolação
  5. Índice de CO²
  6. Proxêmica
  7. Dimensões e Volume dos ambientes de trabalho
  8. Projetos elétricos, hidráulicos, dados e voz.
  9. Interferências eletromagnéticas.
  10. Ergonomia
  11. Custos e manutenção

Cada item acima tem um grau de responsabilidade no desempenho do trabalhador no seu ambiente. Alguns deles podem afetar a produtividade em até 20%, por hora!!! Junte-se vários e é possível compreender a queda de desempenho.

O RH procura no trabalhador as razões de sua baixa produtividade, que realmente podem estar nas pessoas, depressão, burocracia, demandas e metas exageradas, vícios entre outras coisas podem afetar o trabalhador. Mas ainda cremos que a arquitetura tem parte grande nos efeitos negativos sobre o trabalhador.

Nos próximos post vamos explorar cada um deles.

[1] https://www.nexojornal.com.br/expresso/2016/05/19/Produtividade-do-brasileiro-%C3%A9-baixa.-Mas-o-problema-n%C3%A3o-%C3%A9-s%C3%B3-do-trabalhador