ARROGÂNCIA E ARQUITETURA

ARROGÂNCIA E ARQUITETURA

A folha de hoje 18/02/2019 traz um artigo sobre a reforma da antiga loja de moveis, ícone dos anos 80 e 90, Forma, projeto de Paulo Mendes da Rocha, prêmio 2006 Pritzker de arquitetura.
Aldo Urbinati, conduziu não so o projeto, mas também a arrogância em tratar um projeto caro a memoria de qualquer arquiteto que tenha alguma paixão pelo mobiliário.
Quando eu dava aula, costumava alertar aos estudantes que sua primeira lição de arquitetura deveria ser a insignificância. Arquitetos, somente os famosos desfrutam da memória. O resto desaparece na poeira da história. Quantos prédios, quantas casas passamos ao largo sem saber quem projetou, quem construiu.
Qualquer obra de arquitetura esta sujeita as mãos de outros arquitetos ou de outras ações. O Parthenon resistiu por séculos, e grande parte dele veio abaixo não pela ação do tempo, mas por ter se tornado um deposito de munições que explodiu em 1687, quanto foi atingidos por tiros de canhões.
A obra de qualquer arquiteto, em certa medida, não é uma obra intocável, ainda que alguns queiram imagina-las assim.
O tempo é um corrosivo terrível para a obra arquitetônica, que por vezes tem que ser adaptadas ao momento.
O que mais incomoda na reportagem, é a arrogância do jovem arquiteto a querer disputar com o grande arquiteto. “Queria uma espécie de embate franco”, nas palavras dele. Bobagem de criança. A mão ao telefone resolveria a questão.
Há alguns anos atrás fomos chamados para complementar um setor num cemitério em campinas, obra do arquiteto Gilberto Paschoal, pouquíssimo valorizado, e de grande competência técnica. Passamos a mão ao telefone e solicitamos uma reunião. Explicamos que iriamos desenvolver uma nova área de velórios, e queríamos o projeto dele para dar sequência. O arquiteto nos perguntou por que? Respondemos que o projeto dele era muito bom, não havia necessidade de criar uma outra obra para competir com a dele. Ele ficou impressionado. Nunca esperou isto de jovens arquitetos (éramos jovens ainda).
Há participações de arquitetos que engradecem a obra, mesmo fazendo algo completamente fora do esperado. O próprio paulo mendes fez isto na pinacoteca do estado, onde sua intervenção conversa com a obra de outro arquiteto, Ramos de Azevedo (com quem obviamente ele não poderia ligar!!!). o arquiteto chino-americano Ieoh Ming Pei fez isto a frente do museu do Louvre, engrandecendo a obra do primeiro grande museu do mundo.
Assim não é a intervenção que destrói a obra arquitetônica, é a arrogância e falta de modéstia que invalida a intenção de um jovem arquiteto em busca da relevância. O tempo passará e Paulo Mendes da Rocha ficará, o rapaz, como é mesmo o nome dele?


MÚSICA E ARQUITETURA

MÚSICA E ARQUITETURA

Na folha de S.Paulo de 16/02/2019 há um artigo interessante sobre música. Vale a pena ler.
No escritório há alguns anos se estabeleceu uma guerra pelo som. Há idiossincrasias pela música eu sei. Mas vejo a música de forma diferente de quem, em geral trabalha comigo (escute aqui o que eu ouço¹ )
O artigo ressalta as virtudes da música instrumental, que eu não acho de toda mal. Gosto, mas não para ouvir!
Não sabemos exatamente porque gostamos de música, é muito provável que seja pelos padrões harmônicos, ou não, que ouvimos. O ser humano é obcecado por padrões e a música é cheio deles.
Extrapolando um pouco, as ideias de Semir Zeki, um neurobiólogo, que defende a tese de que pintores são neurologistas natos, pois produzem diretamente para o cento de prazer (ou do desprazer) de seus admiradores. Explico, tudo o que vemos, ouvimos ou sentimos é processado pelo nosso órgão superior: o cérebro. Lá não entra nada, só circulam sangue, impulsos elétricos e glicídios. Não entra, pintura, fotografia imagem, som ou qualquer outra coisa. Não entra, nada, absolutamente nada! A semiologia diz que a única coisa que entra além destas substâncias, são os signos. Assim tudo o que temos, são invenções do cérebro, criações magnificas deste órgão, muito estudado e ainda pouco compreendido (por mais que tenhamos tido avanços enormes no século XX e XXI, ainda estamos longe de uma compreensão total, das funções e capacidades cerebrais).
Os músicos, portanto, tem também estas características. Ou seja, produzem para o cérebro e não diretamente para nós.
De que forma funciona?
O cérebro reage a todos os estímulos sejam eles internos ou externos. E a sua reação a eles, “forante” a nossa cognição, entendimento, memoria e outros sentimentos são mediados por substâncias hormonais, adrenalina, serotonina, testosterona, noradrenalina e dopamina² (entre muitas outras).
São estas as substâncias que nos dão a noção de gosto disto e não gosto. Estas entidades são manipuladas em locais distintos no cérebro, e independente da cultura formação ou educação, tudo que gostamos se aloja num local e o que não, em outro.
A música não escapa disto. E tem um efeito, que é o gatilho para todas as sensações que temos ao ouvir música. No artigo, eles falam de músicas calmas e quando é preciso de um pouco de empenho, eles usam uma música “mais pesada”. Por que?
As músicas mais calmas estimulam a produção de substâncias que nos dão prazer e bem-estar, destacadamente serotonina e dopamina. Mas nas músicas mais pesadas, como metal e rap, entre outras, uma substância entra na parada, adrenalina!
A adrenalina é o neurotransmissor da coragem, da violência, da ação esportiva e dos ímpetos criativos, portanto é uma substância que o cérebro gosta para agitar. Assim dependendo de cada momento há um tipo de música para estimular o trabalho.
AUMENTA QUE ISSO É ROCK AND ROLL!!!!

1.https://open.spotify.com/user/paulodetarso54/playlist/2M4OunTQzm5gZaimhcFzWg?si=NmF7mGsLST-XxY34ZZpUJw

2.Dopamina é um neurotransmissor no cérebro-é produzido em resposta a recompensa para as atividades humanas e está ligado a ao reforço e motivação-isso inclui atividades que são biologicamente significativas como se alimentar e sexo. Ver mais aqui: https://www.bbc.com/news/health-12135590


O CLIENTE, QUE DIABOS É?

O CLIENTE, QUE DIABOS É?

A palavra cliente tem uma origem etimológica curiosa: ela deriva de “cliens”, palavra latina que designava alguém que estava sob a proteção de um patrono .
Seu significado mudou muito desde então. E principalmente, para arquitetos . Hoje o cliente é o patrono, mas isto não significa que haja proteção.O cliente é a fonte de seus recursos e procura-se atender aos seus desejos. Mas seus desejos são legítimos do ponto de vista da arquitetura?
A resposta pode ser dúbia. Por um lado, o cliente tem todo o direito de pedir aos arquitetos o que deseja como moradia, ponto comercial ou instalação industrial. O problema é saber se o cliente sabe exatamente o que quer? Do outro lado, os arquitetos, em tese, sabem mais sobre o espaço do que o cliente, exatamente por isso é que o cliente solicita aos arquitetos o desenvolvimento de projetos. Aí é que temos um impasse.
Como cliente, imagine-se dirigindo-se ao médico e dizendo que você pretende fazer uma cirurgia, por exemplo de apêndice, mas como não é o especialista, você gostaria que ele fizesse a operação. Mas você quer que ele faça não pelas vias convencionais, mas sim vindo das costas para a frente, começando perto do pescoço e chegando até a região abdominal. Pode ser que o paciente não se assuste, mas o médico sim.
O mesmo acontece com arquitetos!
Sim as pessoas entram nos escritórios e pedem o que por vezes e não raras coisas que parecem com o exemplo acima. Nos já tivemos cliente querendo a construção de shopping em formato de coliseu! Tentamos nos aproximar de seu desejo, mas em vão. Nas palavras dele: Não foi isso que eu mandei vocês desenharem! A conversa não acabou bem. Seria mais esqueleto na paisagem. Nosso nome seria lembrado, o dele, não.
Assim o cliente tem desejos e sonhos, mas os arquitetos é que ficam com os pesadelos (o contrário também é verdadeiro, e já já falaremos disto), acontece que muitos destes sonhos são irracionais. Já tivemos a chance, de inúmeras vezes, notar que o cliente quando chega com o desenho de uma casa que ele deseja, em geral, é a mesma casa onde ele mora, só que maior. A pergunta que se faz é; precisa? Em geral não.
Meu sogro, sempre dizia que ninguém precisa de uma casa de mais de 200m² (é muita área!) e ele morava numa casa de 800m². Certa vez, próximo ao fim da obra, desta mansão, ele perguntou ao arquiteto, por que estava ficando tão cara a obra. Ele havia acabado de descobrir que a obra tinha 800m². O arquiteto lhe falou que se ele soubesse que era tão grande e cara, ele não a faria. Isto mostra a irresponsabilidade entre os dois. O cliente e o arquiteto. Havia partes da casa que nunca haviam sido utilizadas e a lareira não funcionava.
O cliente, me perdoem, mas na maioria dos casos, não sabem o que querem. É normal que seja assim, vivemos num mundo complexo e de especialistas, não temos acesso a tudo. Ele vive do passado e do presente, só que ele irá morar no futuro. A obra não é instantânea. A casa, o escritório ou a fábrica, nascem, crescem envelhecem e eventualmente morrem.
O cliente não pensa que a casa deva se modificar como ele e sua família, se modificam. Ele é imune a reflexão de que a casa deve evoluir com ele. É nosso papel tentar convence-los de que há algo melhor para ele. Sempre há.
O cliente é a fonte dos recursos, que todo e qualquer escritório ou arquiteto precisa, mas é importante orientar nossos clientes que podem e devem aprender algo novo, como nós, que temos o dever de fazê-lo. Nós trabalhamos com algo chamado projeto , ou seja, algo que está à frente, no futuro.
Mas porque diabos estamos projetando para o passado?
Grandes erros cometem aqueles que depois de formados, param de estudar e pesquisar. Seja porque razões forem. O estudo da arquitetura não termina passado 5 anos (que convenhamos é uma embromação, longa!).
Devemos estar atentos as modificações temporais de nossas demandas por espaços. E isto ocorre em todos os âmbitos. As moradias se tornaram péssimas maquinas de se morar. Os espaços de trabalho idem. Portanto urge que tomemos as rédeas do projeto e que possamos escolher e decidir o que é bom em termos de projetos, como os médicos fazem. Nos somos técnicos especializados no espaço. Que o cliente deve entender e respeitar. Os resultados serão melhores para todos.


"TIOPATINIZAÇÃO" DA ARQUITETURA"

“TIOPATINIZAÇÃO” DA ARQUITETURA”

-Um amigo alertou: não escreva sobre arquitetura! Esta não é sua especialidade!
-Ao que eu respondi, de fato, minha especialidade é o inferno. Bom, dane-se, é a mesma coisa!

Ao iniciar este artigo, busquei uma palavra que pudesse descrever a situação de um tipo de arquitetura em minha cidade. Eu ia utilizando a palavra “fenômeno” phaenomenon, que por sua vez deriva do grego φαινόμενον (o que se mostra a si mesmo). Mas acabei achando uma palavra melhor para a descrição, catástrofe!
A arquitetura de Campinas, passa por uma fase das mais difíceis. A retração econômica a partir dos últimos anos, mais uma série de ERROS, tem provocado este desastre.

Mas que erros seriam estes?
Temos visto crescer nos condomínios um tipo de arquitetura, que a nosso ver representa uma coleção infindável de erros e enganos na arquitetura. Não é o objetivo deste artigo procurar culpados, mas entender como se deu a catástrofe.
Espalhou como praga um tipo de arquitetura que aqui vamos chamar de “tiopatinização” ou “banquerização” que é a construção de residências, como se fossem bancos. Numa descrição rápida, uma caixa de vidro que serve para a inserção da escada, permitindo que todos possam acompanhar a subida dos moradores ao segundo piso, ou a gerencia. Ao lado, um amplo estacionamento para 3 ou 4 carros cobertos. A porta de acesso, em geral em grandes proporções como se fossem mesmo a porta de um banco.
Este modelo, em grande parte, deriva da fachada especifica de um banco, o Personalitté do Banco Itaú.
O banco Itaú na sua fusão com o Unibanco, em outubro de 2010, tem um conflito com ações especificas dirigidas aos clientes de maior poder aquisitivo. O Itaú Personalitté foi criado exatamente para atender esta demanda, e se diferenciar de um atendimento dado pelo Uniclass, um serviço mais comum, e utilizado pelo Unibanco. A segmentação de clientes criadas a partir do ano 2000, se insere na estratégia bancaria de valorizar os clientes com maiores ativos e potenciais de lucros.
Este serviço atendia pessoa com renda acima dos R$ 7.000,00(sete mil reais). O Personalitté passou a tingir um patamar levemente acima, para pessoas na faixa dos R$ 10.000,00(dez mil reais). Para demarcar visualmente esta situação foram criados projetos que visavam diferenciar-se das tradicionais fachadas bancárias. O banco se voltou para as residências. Ou seja, um banco com cara de moradia. Este estilo condizia mais com a inclusão, cada vez maior de parcelas da população com maior renda. Você iria ao banco e se sentia em casa.
O erro começa quando os arquitetos querem fazer o caminho inverso. Morar como se vivesse em um banco. A sucessão de erros, foi criar uma gramática visual, baseada na ortografia bancaria.
Em paralelo a isto, uma nova característica de uma sociedade extremamente conectada; o exibicionismo, qual seja, expor a vida íntima a todos, de forma a marcar uma neurose narcisista e uma maneira, quase doentia, de expor seu poder. As vítimas já são conhecidas.

Quem são as vítimas?
As vítimas deste modismo, em primeiro lugar, são os próprios clientes e o que é pior é que eles pagam por isto.
Em segundo lugar a arquitetura como um todo. Campinas já foi reconhecida pelo colonial meloso que imperava na cidade em torno dos anos 60 e 70, do século passado.

AS GARAGENS

Como compreender que se gaste tanto, na construção de garagens frontais, para a guarda de veículos?
A décadas a indústria automobilística desenvolveu e desenvolve produtos e características especiais de revestimento para seus veículos. Além do fato de que eles passam grande parte de seu tempo expostos a intempéries e ao sol de um pais tropical. A garagem é utilizada para proteger o veículo do sereno! Não é meigo?
O que se esconde por trás deste erro, é a simples vontade de ostentação de massas de pessoas, que agora tem acesso ao dinheiro, mas não teve acesso a formação e a informação.
Arquitetos igualmente desinformados atendem avidamente este mercado, sem a menor reflexão ou culpa. Entrego o sonho do cliente! Mentira o que entregam é um verdadeiro pesadelo arquitetônico.
Toda casa é um sonho de seus moradores. Eles investem tempo e dinheiro na obtenção de uma casa que tenha os atributos BELEZA, CONFORTO E SEGURANÇA. Para se compreender melhor é preciso analisar estes 3 conceitos e ver como se eles se encaixam.

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URBI ET ORBI[1]

 

Alguém me perguntou sobre qual seria a cidade mais antiga do mundo?

Aparentemente esta seria uma pergunta fácil para um arquiteto responder, bastaria recorrer a memoria de alguma aula de história da arquitetura para que a resposta estivesse lá. Mas a memoria é traiçoeira. Nem sempre se apresenta quando mais precisamos dela.

A pergunta, se referia a Jericó, se ela seria a mais antiga cidade do mundo. Seria?

Para responder duas coisas precisam ser observadas. A resposta possui duas categorias; a religiosa e a histórica.

Na religiosa, nem sempre é bom lembrar, que as cidades são uma criação Caim, o famigerado irmão assassino de Abel.

“E conheceu Caim a sua mulher, e ela concebeu, e deu à luz a Enoque; e ele edificou uma cidade, e chamou o nome da cidade conforme o nome de seu filho Enoque”; Gênesis 4:17

Portanto a cidade do ponto de vista da religião, as cidades, guardam em si uma maldição, a de ter vindo de alguém condenado a vagar pelo mundo e amaldiçoado por Deus:

E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama a mim desde a terra. E agora maldito és tu desde a terra, que abriu a sua boca para receber da tua mão o sangue do teu irmão. Gênesis 4:10,11

Caim após sua expulsão por Deus foi viver num local conhecido Nod Ou Ninrode[2], possivelmente um reino onde se reuniam diversos locais citados na Bíblia tais como Babel, que estaria entre estas cidades. A religião fornece ainda outros nomes Jericó, Ur, Sidon, Sodoma, Tiro, Jerusalém, Belém entre outras (há mais de 40 cidades citadas[3]). Principalmente as do Velho Testamento são as mais antigas. Duas podem ser destacadas Jericó e Ur.

Jericó normalmente está na lista das mais antigas, com idade variando entre 9.000 AEC[4], o que traria a data de sua criação para 11.000 anos atrás.

É preciso atentar ao fato de que as fontes baseadas na Bíblia e principalmente no Velho Testamente são cidades que de alguma forma tinham um relacionamento com a cultura judaica. Eles não estavam preocupados em apontar a cidade mais antiga.

O problema de Jerico é estar um pouco longe de onde a arqueologia aponta como as primeiras aglomerações que surgiram, ou seja, o Delta do Tigre e Eufrates. Os locais distam em linha reta 750 km, mas impossível de ser feita assim. Sua distância dobra praticamente para se desviar de rios, montanhas e outros relevos.

Jericó está a 27 km de Jerusalém, e as primeiras aglomerações parecem ter sido na região conhecida como Mesopotâmia (entre rios em grego). É certo inclusive, que outras aglomerações se tornaram cidades na região da Anatólia, atual Turquia.

Os verdadeiros criadores das cidades se chamam “homo sapiens” e são a nossa espécie. E surgiram há 200.000 anos atrás.

Mas ao surgirem não criaram as cidades de imediato. Por mais de 180.000 anos viveram como nômades e caçadores coletores. Partiram da África em direção a uma região chamada de Crescente Fértil, situado na região já citada da Mesopotâmia.

Existe um aspecto curioso nos agrupamentos de sapiens, como qualquer agrupamento de mamíferos e animais, o grupo é contido em sua coesão até um numero mágico de 160 indivíduos (curiosamente o mesmo número de pessoas que devem comparecer ao seu funeral) após este número há uma natural divisão ou dispersão em numero menores, isso explica a divisão de caçadores coletores quando atingem este número.

Como então a cidade é possível? Quando os caçadores coletores tomaram a decisão de se fixarem em um local, surgem outros aspectos que trabalham a favor da coesão. O primeiro aspecto modificador é o excedente agrícola, que juntamente com a propriedade cria uma variação do comercio, mais complexo do que a simples troca, introduz a figura do chefe, líder ou imperador, capaz de pela força estabelecer a coesão do grupo em proveito próprio. O segundo aspecto é a religião, que a partir de seus ritos e crenças atua fortemente sobre o controle social e cria forte laços de pertencimento ao grupo, uma forma de cola social.

As mais atuais pesquisas arqueológicas apontam uma outra região como potencialmente a cidade, ou agrupamento mais antigo, Çatalhöyük (pronuncia-se” ʧɑtɑl højyk”algo como parecido com Cataliuquie).Situada na Anatólia região da atual Turquia.

Assim ainda está para surgir a cidade mais antiga do mundo, uma vez que para isso foi preciso que os homens se parassem e demorassem em algum lugar. Eles nunca pararam!

 

[1] Urbi et Orbi ("à cidade [de Roma] e ao mundo") é a benção de Páscoa e Natal, com as quais o Papa se dirige ao público em geral na Praça de São Pedro. A expressão latina se refere a cidade e ao mundo.

[2] Nod ou Node é o nome bíblico dado ao lugar onde Caim passou a viver depois de ter matado Abel (Gênesis 4:16) e que pode significar uma abreviação de Nimrod. Sendo assim, e considerando que a geografia da Mesopotâmia possa ter sido alterada depois do dilúvio, é possível que a referida localidade corresponda à Babel ou à Assíria. Também pode ser definido como a terra da Fuga. Segundo a Bíblia, o reinado de Nimrod incluía as cidades de Babel, Ereque, Acádia e Calné, todas na terra de Sinear ou Senaar (Gênesis 10:10). Foi, provavelmente, sob o seu comando que se iniciou a construção de Babel e da sua torre. Tal conclusão está de acordo com o conceito judaico tradicional. https://www.wikiwand.com/pt/Nimrod

[3] Cidades são diferentes de lugares na bíblia há mais de 150 lugares indicados, nem todos claramente, ou por mudança de nome, por dificuldade de localização ou simplesmente por que desapareceram.

[4] AEC Antes da Era Comum, é uma forma mais inclusiva do que A.C e D.C., uma vez que judeus e muçulmanos não aceitam esta referência, e mesmo que tenham por Cristo respeito, a datação de alguma forma incomoda as outras religiões. Os cientistas pesquisadores preferem AEC e EC por serem mais inclusivas.

 

 

 

 


O AMBIENTE DE TRABALHO

 

 

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Conta uma velha lenda que arqueologistas descobriram na região da antiga Babilônia, placas de barro cozido, com detalhadas inscrições cuneiformes. Ao traduzirem, nas primeiras linhas estava inscrito: vivemos um período de transições!

A frase ainda ecoa, passados 50 séculos. Vivemos ainda hoje períodos de grandes transições. E no presente encontramos ainda mais densas e profundas modificações.  O mundo está prestes a viver aquilo que se chama a 4ª Revolução Industrial. A rigor poderia ser a 5ª ou a 6ª, tivemos revoluções importantes na pré-história, a pedra lascada, que permitiu o desenvolvimento de ferramentas, e sem dúvida, modificou o estilo de vida e proporcionou enormes ganhos a civilização.

Alguém poderia dizer que estas não foram revolução industriais. Em nosso socorro a etimologia pode esclarecer este assunto. A palavra indústria é formada pelos prefixos latinos indu (que significa: em seu interior, dentro) e pela raiz do verbo struo (construir, organizar fabricar) e completado pela partícula de qualidade -ia. Designa hoje as atividades humanas destinadas as obtenção e transformações dos elementos naturais em elementos do consumo.1

Entretanto sua acepção mais antiga, diz que indústria significa dedicação e laboriosidade (trabalho) e também engenho e sutileza (no sentido de inteligência e aplicação de artifícios no sentido de obter um resultado), ou seja, indústria é também o fato de que buscamos uma solução melhor a um problema apresentado.

Assim vivemos em constante transformações.

As revoluções ditas industriais têm um impacto maior pois se espalham sobre todos os campos. E as últimas revoluções tiveram um impacto enorme na nossa vida. A revolução industrial propriamente dita, iniciada do século XVIII e XIX e a revolução digital do Século XX. Entretanto estamos no limiar de uma outra revolução que terá um impacto ainda maior do que suas anteriores, a Industria 4.0.

Vamos nos lembrar que a revolução industrial que teve seu ápice no século XIX e quem viveu, sofreu suas consequências, mas não as entendeu. Elas ocorreram num tempo relativamente longo, para nossos padrões atuais. E mesmo assim, tiveram um poder de transformar todas as concepções anteriores, sejam elas no âmbito, dos ambientes de trabalho, sejam na vida social e econômica. Agora vivemos algo que em certa medida é pior e maior. Vivemos um período de transição mais difícil. Dada a velocidade das mudanças e nossa pouca capacidade de interpreta-las, elas podem ser diferentemente do passado, mais extensas e mais profundas. Nós estamos vivendo algo que não sabemos exatamente o que é e não sabemos suas exatas consequências. Grande parte das pessoas não consegue se movimentar pelas modernas tecnologias digitais, enquanto outros fluem com absoluta naturalidade pelo meio.

 

O celular que compramos ontem amanhece ultrapassado. As transformações ocorrem em velocidade digital, ou seja, a velocidade da luz. Essas transformações, dada sua velocidade são de difícil assimilação e compreensão. Portanto é fundamental que elas sejam analisadas e compreendidas na sua devida dimensão. E que se possa ter ferramentas de domínio para sua melhor utilização.

Dentro nos ambientes de trabalho, excetuando-se os grandes, dificilmente ou raramente elas são pensadas, analisadas e projetadas para a melhor prática.

Os ambientes de trabalho na sua maioria não evoluíram muito do que se tinha nos anos 80, antes dos computadores e tecnologias digitais invadissem a vida do trabalho. Assim há pelo menos 6 focos de preocupação no que tange o ambiente para se consiga uma melhor eficiência, conforto e produtividade.

As condições dos ambientes de trabalho, em geral, são tratadas no âmbito da arquitetura corporativa e raramente avançam sobre outros campos. A parte de produtividade e eficiência é tratada no departamento de RH e dificilmente leva em conta os aspectos arquitetônicos com a relevância que deveriam ter.

O ambiente de trabalho

Tem sido foco de estudos nos últimos anos o ambiente de trabalho. É sabido que as condições do ambiente de trabalho têm um impacto grande sobre a produtividade e eficiência.

Estima-se que condições adversas do ambiente possam contribuir numa diminuição da eficiência em até 20% por hora por funcionário.

Que condições são essas capazes de interferir?


É A ARQUITETURA, ESTÚPIDO!

Quando James Carville, em 1992, durante a campanha presidencial de Bill Clynton, criou a expressão “É a economia, estupido” ele estava se dirigindo a autoridade máxima do pais, para chamar a atenção para o principal problema do pais.

A brincadeira na frase lá em cima, tem a mesma intenção, mas não ao dirigente do pais(ainda que ele mereça, assim como todos os outros)mas a uma instancia menor dos poderes que pode ser o RH de uma empresa.

Nota-se a tempos, que a produtividade do trabalhado brasileiro é muito baixa comparada a de outros países, mesmo nos casos onde se comparam economias semelhantes. Em um artigo publicado pelo jornal digital nexo[1], o brasil produz 75% menos que um americano, ou ¼ do que o trabalhador americano produz.

Ao olharmos para as empresas elas parecem pensar no trabalhador como a causa desta baixa produtividade, muito raramente se debita a arquitetura como uma fonte destes problemas.

O Rh pensa que a arquitetura é neutra, é apenas um dado bruto, ao qual eles não imputam responsabilidades. Aí sim podemos dizer é a arquitetura estupido!

A neutralidade da arquitetura por vezes é algo até almejado, na maioria das vezes acontece ao contrário.

Como diria o esquartejador, vamos por partes:

Podemos elencar ao menos 11 pontos sensíveis no ambiente de trabalho:

  1. Ruído
  2. Temperatura e ar condicionado
  3. Cor
  4. Iluminação e insolação
  5. Índice de CO²
  6. Proxêmica
  7. Dimensões e Volume dos ambientes de trabalho
  8. Projetos elétricos, hidráulicos, dados e voz.
  9. Interferências eletromagnéticas.
  10. Ergonomia
  11. Custos e manutenção

Cada item acima tem um grau de responsabilidade no desempenho do trabalhador no seu ambiente. Alguns deles podem afetar a produtividade em até 20%, por hora!!! Junte-se vários e é possível compreender a queda de desempenho.

O RH procura no trabalhador as razões de sua baixa produtividade, que realmente podem estar nas pessoas, depressão, burocracia, demandas e metas exageradas, vícios entre outras coisas podem afetar o trabalhador. Mas ainda cremos que a arquitetura tem parte grande nos efeitos negativos sobre o trabalhador.

Nos próximos post vamos explorar cada um deles.

[1] https://www.nexojornal.com.br/expresso/2016/05/19/Produtividade-do-brasileiro-%C3%A9-baixa.-Mas-o-problema-n%C3%A3o-%C3%A9-s%C3%B3-do-trabalhador