JANELA PARTE 1

JANELA PARTE 1

Janela, janelinha, porta,
campainha, trimmmmmmmm!!!

Por que falar de janelas?
Dou aula numa faculdade de arquitetura. E poucos tem noção da importância das janelas, nas residência e nos ambientes de trabalho. Alunos¹ durante 5 ou 6 anos decerto não aprenderão a sua história e relevância na arquitetura. Este artigo é dedicado a eles.
A singela brincadeira, em epígrafe, utilizada por pais e avós nos rostos das crianças, apertando ao final, o nariz, revela um pouco de como a arquitetura está ligada à nossa percepção, sem que tenhamos notado. A casa como um corpo e o corpo como uma casa.
A janela são os olhos, que permitem uma dupla interpretação, vêem fora e nos deixam ver dentro. É uma passagem.
A etimológica da palavra janela tem origem na palavra latina “ianuella² ”, diminutivo de “ianuas”, porta passagem, acesso³ . Ou seja, a janela é uma pequena porta, mais precisamente meia porta, pois ela se refere a parte superior da porta que era dividida, permitindo a entrada de iluminação e ventilação e impedia, na parte de baixo, a entrada de animais.
Existe uma palavra em latim e português, ‘fenestra’ que significa janela e é pouco usada em português, apesar de existir. Usamos mais um derivado que é defenestrar, que significa jogar pela janela. Essa palavra pode ter sido originada do grego “φαίνεω “(faíneo, eu olho).
A palavra window, em inglês, tem origem no Nórdico antigo ‘vindauga’, de’vindr – vento’ e ‘auga – olho’, i.e., olho de vento4 . se refere a um buraco por onde passa o vento, ou seja a ventilação. E é também um olho que vê,
A aproximação com janeiro, não é por acaso, a imagem de “Ianus’ o deus bifronte, que guardava o interior das casas e espantava os espíritos malignos estava em geral acima das portas. Janeiro é o mês que fecha o ano anterior e se abre ao novo. Extamente como faz uma janela.
A ligação entre porta e janelas, é evidente, não só etimologicamente como fisicamente. A janela deriva da porta (da porta falaremos num outro post).
O avanço no conhecimento construtivo e arquitetônico possibilitou através da colocação de vergas estruturais a existência inicial das portas e posteriormente das janelas. Ver figuras abaixo.

 

Fig.1 Fachada sem janela

Fig.2 Fachada com janela

 

 

 

 

 

 

 

 

A exemplo de outras inovações que a casa moderna possui, a janela é uma aquisição recente. Praticamente todas as casas tem uma coleção delas. São aberturas que permitem a ventilação e iluminação dos cômodos.
A maioria do tempo as casas não possuíam as aberturas, seja por dificuldades técnicas, a abertura de vãos requer paredes mais robusta e estruturadas de forma a permitir a instalação das janelas. Em geral a única abertura que possuíam era no teto para a ventilação, iluminação e saída de fumaça. A janela representou um passo importante na arquitetura.
É um detalhe que por vezes passa despercebido, tal é a presença das janelas na vida contemporânea. Nos arquitetos e decoradores, não damos, creio eu, a devida importância a esse aspecto da arquitetura, seja enquanto um aspecto importante na história da arquitetura, seja quanto sua importância técnica.
Uma viagem no tempo, serve não só para trazer a importância deste elemento da moradia, bem como mostrar a nova geração de profissionais, como olhar com mais atenção a este elemento arquitetônico.
Cada elemento da casa conta uma história importante na evolução da moradia, este blog tem a pretensão de levantar estes detalhes aqui e contar coisas a respeito destes elementos e se for possível dar direções as inovações ocorridas na atualidade. Tanto a janela quanto a porta guardam referencias importantes, que nós, ao abrirmos uma janela ou passarmos não nos damos conta.Desconhecemos o fato de que as portas foram personagem importantes em tragédias como a do terremoto de 1755 em Portugal. Não sabemos que janelas pagavam altos impostos até o século XIX. Tudo isto serve de repertório aos arquitetos e decoradores que queiram buscar algo além das fotos nos jornais e revistas. Somente as casas dos mais ricos e poderosos no período greco-romano possuíam janelas. Algumas até com vidros, como mostra a fig. 3

Fig.3 Pedaço de vidro romano.

Os romanos, foram os primeiros, ao que se saiba, a utilizar a tecnologia que eles desenvolveram a partir dos egípcios. Mas demorou muito para que se consegui obter vidros com transparência como temos hoje.
Se pudéssemos espiar uma casa na idade média, nosso nariz sofreria bastante, acostumados a uma higienização constante. Mas nossos olhos se surpreenderiam mais, ao não encontrarmos luz facilmente. Não havia para a maioria das pessoas, uma janela que pudesse iluminar o ambiente (no mais das vezes era até melhor!!!) para que pudessem enxergar e se movimentar.
As janelas no século XIII, se resumiam, na verdade a um buraco no teto e a metade da porta que poderia se abrir.
Quando existiam janelas, não haviam vidros. Papel encerado, tecido, pele de animais, ou chifres (sim, osso raspado até se obter uma pequena placa) ou mesmo madeira eram utilizados para dar alguma transparência e proteger um pouco contra as intempéries.
Antes de avançarmos, seria interessante cria um diferencial para as janelas. Uma classificação. Genericamente, poderíamos classificar as janelas em 3 categorias. Obstrutiva, Eurônotas e Iluminantes.
Obstrutivas são aquelas que vedam tanto ventilação quanto a iluminação e provavelmente pertenceram as primeiras gerações de janelas e aberturas. Podiam ser abertas ou fechadas, mas ao serem fechadas obstruíam a visão e o arreamento do cômodo. A implantação das primeiras janelas, se deu a um único cômodo, uma vez que a subdivisão das habitações, a exceção dos castelos, aconteceu de maneira generalizada a partir do século XVII.
Eurônotas são aquelas que permitem a ventilação e permitem ou reduzem a iluminação. Seu nome deriva do grego, ευνότιο, “Eûros” ventos do este e “νότιο,nótos” ventos do Sul e da chuva. Para os gregos e romanos se referiam os ventos predominantes do Sudeste. Assim as janelas que incorporam inovações importantes como a venezianas e treliças(muxarabi).
Iluminantes, como a própria palavras diz são aquelas que permitem ampla iluminação, através da incorporação de papel oleado, pele, madeira ou vidros.
Continua Parte 2…

REFERÊNCIAS

¹ Na verdade, não só alunos, os profissionais da área, em geral também desconhecem.

 

² A pronúncia de “ianuella” é “januella”, é ajustado ao português com a letra “J”, entretanto, o latim não possuía o jota que foi uma criação francesa do século XVI, uma adaptação para diferenciar novos sons do francês.

 

³ Para um olhar mais aprofundado ver JORGE, Luís Antônio. O Desenho da Janela. São Paulo. AnnaBlume.1995.

 

4 Para mais detalhes visitar: https://en.wikipedia.org/wiki/Window


ARQUITETURA DE M*RDA PARTE 2

ARQUITETURA DE M*RDA PARTE 2

As cidades medievais eram imundas, sujas e fedorentas, e segundo a expressão de São Bernardo: onde todo mundo fede, ninguém cheira mal.

Toda espécie de imundices estava jogada nas ruas e vielas. Mesmo dentro das casas na sua maioria, não haviam pisos, portanto, escarros, cuspe e restos de comida, quando não o número 1 ficavam espalhados pelos cantos.
Lembrando aqui que os utensílios domésticos eram móveis, portanto camas e banheiros eram transportados nas viagens de reis e nobres.

Quando surge o quarto, por volta de 1660, ou seja, em pleno século XVII, um espaço privado (chamado de petit appartment) e o quarto de banho aparecem, como necessidade e intenção de restringir uma atividade que em geral era pública. É bom lembrar que Versalhes com seus 700 quartos não contava com um só banheiro, no sentido moderno (ressalte-se que havia salle de bain, mas não possuíam privadas nem esgoto).

Por volta do século XVII, surgem, para a alta classe e monarcas as primeiras privadas portáteis. Luís XIV possuía várias e sua utilização era pública e sinal de prestígios para aqueles que assistiam o rei fazer suas necessidades. Seu uso iria se multiplicar com os nobres e burgueses querendo este moderno equipamento.

Começa surgir na sociedade uma noção mais clara entre o público e o privado, fazendo com que certas atividades, antes públicas, passem a serem realizados no privado. No excepcional filme Vatel – Um Banquete para o Rei tem uma cena onde o rei é acompanhado por um séquito, fazendo suas necessidades.

O número 1 era feito em qualquer lugar, pelos cantos do palácio. O número 2 era feito em pinicos e jogados ao jardim. Por que vocês acham que Versalhes tinha e tem jardim fantásticos????

O avanço da ciência e novas descobertas eliminaram o conceito de miasma (de que as doenças vinham pelo ar) e se passou a enxergar de maneira cientifica e metodológica os problemas de higiene.
Os sanitários e banheiros ficavam normalmente separados, até hoje é possível ver esta separação em apartamentos franceses e americanos. No caso brasileiro, no início estavam separados, mas na sua inserção no interior das residências já se fez a unificação.

O século XIX verá surgir as novas atitudes higienistas, vindas a partir da Alemanha irá se estender por toda Europa e o mundo. A Inglaterra irá iniciar a instalação de esgotos em Londres depois do terrível ano 1858, quando a sessão do parlamento teve que se fechado, por conta do cheiro fétido do esgoto jogado no rio Tamisa.

Esta onda higienista fará diversos países investirem em redes de esgotos de grandes capacidades. Londres, Munique, Paris e Rio de Janeiro passam a contar com uma rede de escoamento de esgoto, o que rapidamente trará os sanitários para dar maior conforto, próximo ou mesmo dentro de casa.
Uma revolução sanitária coloca o mundo na trilha correta e milhões de mortes são evitadas, embora ainda que hoje, por falta de saneamento, continue a trazer a tragédia a diferentes países.

No século XXI, mudanças de grandes dimensões começam a ocorrer nos banheiros, é depois da cozinha a área da casa a receber maiores impactos tecnológicos e inovações.

O conceito meramente sanitário se expandiu e a noção de bem-estar é cada vez mais presente. O banheiro passa a ser um “spa” doméstico.
A palavra SPA, um topônimo, vem da cidade de Spa, próxima a Liége, Bélgica. É uma cidade conhecida desde a antiguidade por suas águas termais e curativas. Aquae Spadanae, denominação possivelmente relacionada com “spargere” (em latim, ‘lançar aqui e ali, espalhar’ (gotículas)Existe uma falsa etimologia, que sugere que Spa significaria Sanitas per Aquam, não existe fundamento etimológico para isto.
Existe na Inglaterra uma cidade com o nome de Bath, uma antiga dominação romana, famosa por suas construções de banhos públicos e águas termais também.

A vida moderna com suas inúmeras interações pede que haja um momento de repouso no retorno ao lar. Já há alguns anos que a casa vem se modificando e se fundindo. A cozinha se fundiu com a sala, desapareceu a sala de visitas, e o quarto, uma invenção recente (1660) se mesclou com o banheiro. O cômodo que até pouco ficava fora da casa, está ao lado da área de repouso.

Bacias com capacidade de análise médicas e com conexão com a internet lançam informações sob o estado de saúde seus usuários. Os chuveiros vêm dotados de diferentes pressões e chegam a ter iluminação de led para as terapias de cromoterapia. Sistemas de aquecimento, seja solar ou promovido por células fotovoltaicas (para a eletrificação, bombas pressurizadoras e sistemas computacionais) elevam a qualidade do banho a níveis nunca vistos. A introdução em breve de pisos, com capacidade de armazenamento de dados, como peso, controle de temperatura e muito mais, estarão em breve no mercado. Utilização de banheiras, a partir da utilização de resinas, modificou as antigas e pesadas banheiras de ferro. Mecanismos de pressão e jatos d’água transformam a simples limpeza do corpo, num verdadeiro tratamento de saúde.

Vale a pena conhecer algumas das novidades que estarão presentes nos banheiros em breve:


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https://evadrop.com
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UMA ARQUITETURA DE M*RDA PARTE I

UMA ARQUITETURA DE M*RDA

O conforto para nossas necessidades fisiológicas só encontrou lugar muito recentemente, nos nossos banheiros modernos.
O banheiro tem uma longa história, mas grande parte dele fora de casa.
No caso brasileiro principalmente o banheiro entrou muito recentemente em nossas casas. Foi somente a partir do século XX, que este espaço passou a fazer parte do corpo da residência.

Quando nos abandonamos a caça e coleta a 12.000 anos atrás a necessidade de se segregar esta atividade surgiu. Mas não a palavra!
Caçadores-coletores caminham em média 12km por dia, suas necessidades são feitas ao longo do caminho e não há necessidade de um espaço físico para isso. Nem a palavra também.
A fixação dos humanos em determinados locais, fruto da agricultura, não trouxe, ao contrário do que se pensa, vantagens iniciais, para aqueles que a adotaram. A proximidade dos dejetos contaminou a água e trouxe doenças. Ao cabo de alguns milênios os primeiros agricultores chegaram a diminuir 10 centímetros em sua estatura. Fruto da monocultura e do déficit alimentar e de doenças dizimantes.

A primeira coisa a ressaltar o tabu linguístico que envolve a palavra. Tabu linguístico é quando evitamos pronunciar uma palavra, seja por conta da moral, proibições, medos e superstições, e a substituímos por outra, número 1 e número 2 por exemplo.
No caso do banheiro, local para tomar banho, evita-se dizer as outras atividades ali desempenhadas por mero recato de se explicitar o que acontece lá dentro.

Etimologicamente banheiro é o local do banho. Em praticamente todas as línguas o tabu se repete. Water closet, restroom, salle de bain, hammam, Badezimmer, sempre se referem ao banho.

As palavras em português retrete e mesmo latrina se referem a um espaço restrito, mas não diretamente a função de evacuar (um dos sentidos de lav- latino é escoadouro). A razão para não haver ou haver referência, é que o banheiro não era conhecido na antiguidade como nós os utilizamos agora.
Quando analisamos o período greco-romano não encontramos o banheiro inserido dentro das habitações, simplesmente não havia um local como nossos banheiros. A exemplo dos tigres1 brasileiros existiam os επιστάτες κοπρώνων (epistátes koprónon, os cuidadores de excrementos). Provavelmente recebiam dinheiro para retirar os dejetos das casas e o revendiam para fazendeiros para a produção de fertilizantes.
Palácios e residências dos poderosos podiam contar com sistemas de esgoto e drenagem, mas isto era inacessível a maioria da população. Existem referências de 3000 AEC2 em Knossos, Creta de sistemas de descargas com água em fluxo.

Os gregos não possuíam uma palavra específica para banheiro, aliás nem havia na casa um local exato para isto. A palavra τουαλέτα (toualéta) é um empréstimo do francês.

No período romano, foi desenvolvido um amplo sistema de fornecimento de água, através dos aquedutos e a construção de locais para o despejo de dejetos humanos, a Cloaca Máxima. Os romanos possuíam os banhos públicos, que forneciam local para o asseio do corpo, conversas e privadas. A figura abaixo mostra a razão da conversa ter entrado no meio da história. Os romanos levaram aos mais distantes rincões do império suas técnicas, ciência e conhecimentos com a água.

Os romanos não tinham em casa, banheiros. Eles em geral iam aos banhos públicos. Era uma atividade além de higiênica, social. Se conversava enquanto de desempenhavam as atividades, digamos primarias.

 

PRIVADAS PÚBLICAS ROMANAS

 

Um outro fato curioso entre os romanos, é que havia coleta e compra de urina. Utilizada na limpeza das roupas!!!(por conta das qualidades da ureia) e sua utilização no tingimento e fixação de cor nos tecidos.

O judaísmo, tem uma forma de utilização dos banhos como forma de purificação: mikveh. A imersão em água seja para a conversão, rituais de purificação. O banho é um aspecto ritualístico da religião.

Na religião católica não há um rito sobre o banho, a não ser o batismo. A religião não desenvolveu um processo ritualístico que envolvesse o banho ou que tivesse outros aspectos ligados a higiene.

Os árabes irão receber esta influência e junto com os ensinamentos do islã iram estabelecer regras restritas de limpeza. A prece, um dos pilares do islamismo, obriga seus praticantes a se lavarem antes das 5 preces diárias. A partir das cruzadas eles influenciaram o ocidente com o retorno dos banhos públicos que haviam desaparecido após a queda do Império Romano.

Eles seguem rigorosos preceitos do Wudu, que indica como e que partes devem ser lavadas antes das preces. Isto envolve não so as partes visíveis do corpo, bem como as íntimas.

(continua…)

1. Escravos que no Brasil, transportavam toneis de excrementos para serem jogados no rio ou mar.

2. AEC e EC Antes da Era Comum e Era Comum, é utilizado pela comunidade cientifica e é mais inclusivo do que AC e DC.


ARQUITETURA SEM EIRA NEM BEIRA

ARQUITETURA SEM EIRA NEM BEIRA

A sabedoria popular diz que alguém sem eira nem beira é alguém que não tem nada, alguém sem lugar para morar, um sem teto, enfim alguém que não tem onde cair morto.
Eira e beira se referem a elementos da casa e do telhado. Eira significa um espaço de terra batida, lajeada ou cimentada, próximo às casas, e o beiral é a parte do telhado que sombreia e protege as paredes.
A arquitetura ultimamente anda sem eira nem beira. Estamos descuidados com pequenos detalhes da arquitetura e de certa forma somos os responsáveis pelos inúmeros erros que tem ocorrido com indesejável frequência nas obras.
Numa visita a um imóvel vi algo que deveria estarrecer qualquer arquiteto ou arquiteta: um telhado de telhado. Sim você leu corretamente, um telhado para proteger o telhado. Como se sabe a inteligência tem limite a burrice não. O imóvel apresentou, logo depois de entregue, diversos vazamentos em razão das chuvas. A solução encontrada pelos engenheiros da obra foi fazer um novo telhado. Temo em dizer que não vai dar certo!
A razão é simples, estão atacando o sintoma e não a doença!
Há muitos anos tive a oportunidade de assistir uma palestra sobre telhados de cobre, de um velhinho, um arquiteto chamado Roberto Leme (não o nosso Robertão Leme, um homônimo), ele me chamou para almoçar. Durante a conversa ele me falou da tristeza em ver que os novos arquitetos estavam desaprendendo a fazer telhados e que somente sabiam fazer telhados planos pela simples razão que ninguém mais ensinava a arte de fazer telhados (sim, existe uma arte em fazer telhados!). O que é uma verdade até hoje. Raros sabem fazer um bom telhado.
Vivemos tempos de drásticas mudanças climáticas (somente os cretinos fundamentais não veem!) A inclemência do tempo tem sido notável, entretanto arquitetos, empreiteiros e construtores não se deram conta.
Dentre minhas incontáveis manias está a de acompanhar o tempo. Temperatura, vento e pluviosidade me interessam. Tenho observado e graças a uma informação do meu amigo Breno Pereira, pude confirmar que as médias mensais de chuva pouco variam, uns tantos milímetros a mais aqui ou a menos ali. O problema surge quando as precipitações se acumulam em poucas horas impossibilitando seu devido escoamento. O que está acontecendo é isto, mudou a quantidade precipitada por hora. Aquilo que caia num mês pode cair em horas. Portanto as condições de escoamento devem ser revistas.
Já tem um tempo que aqui no escritório fazemos a recomendação de se aumentarem as calhas e os condutores para dimensões maiores das usuais. Não raramente, ouvimos: Doutor tem 40 anos que eu faço isto, vai querer me ensinar agora? Pois é, pode ser que estejam fazendo errado há quarenta anos, ou se esqueceram de observar o tempo!


MANUTENÇÃO

MANUTENÇÃO!

 

O brasil é um país refratário a manutenção. Em primeiro lugar a manutenção está em qualquer empresa na coluna errada dos custos. Ela está sempre em despesa. A manutenção, como me ensinou, um irmão engenheiro, na coluna dos investimentos, pois se investindo na manutenção há sempre um retorno positivo ao investimento.

A tv hoje cedo, 20/02/2019 anuncia dos fatos que fazem parte da tragédia cotidiana do brasileiro; um conjunto de prédios sob a ameaça de desabamento e a condição das pontes em SP.

No primeiro caso, como no segundo, decorrem de não de um fato único, mas da decorrência de inúmeros erros que acabam por compor um acidente (a palavra aqui está errada, acidente é etimologicamente aquilo que ocorre repentinamente, deriva de uma palavra latina accidere, cair). O filosofo Aristóteles definia como uma categoria não essencial a substância, ou seja, ele não pertence ao objeto. Ou seja, não deveria ocorrer naturalmente.

Mas os acidentes, não ocorrem ao acaso, são uma série de eventos que levam até o momento onde eles são irreversíveis e se desdobram em catástrofes. Quando elas ocorrem com os outros chamamos eufemisticamente de dados estatísticos, quando acontece com agente: tragédia!

Hoje comento apenas o dos prédios.

No caso dos prédios a baixa qualidade da construção brasileira, a falta de fiscalização, o mal-uso das técnicas e a baixa formação de profissionais se traduzem em obras cuja estabilidade não pode ser colocadas a prova. No caso desta obra no Morumbi, zona sul de são Paulo, 96 famílias correm o risco de verem seus apartamentos desaparecerem. É um problema de arquitetura ou não?

Tudo que diz respeito ao morar fala diretamente a arquitetura. Sou avesso a separação que se criou entre a arquitetura e engenharia. Sempre se pode aprender com os calculistas, eletricistas e especialistas em proteção atmosférica.

As causas alentadas, no prédio, são as de sempre, obras em terreno vizinho, ou a desculpa de que a construção obedeceu estritamente a lei.

O problema se estende a mais de 10 anos. As construtoras ainda não enfrentaram a fúria da lei que deveria ver estes casos (se não me falha a memória a lei fala sim, mas os juízes e advogados desconhecem) em que um erro de origem, ou seja um erro que está presente desde o nascimento da construção, não extingue a responsabilidade da construtora após 5 anos. Estes primeiros anos tendem a cobrir defeitos de materiais, más opções de qualidade e erros simples de construção. Não é o caso de erros estruturais ou de erro de adoção de fundações ou mesmo descuido nas proteções de arrimo e paredes confrontantes.

Normalmente arquitetos não se imiscuem nestas questões. Aqui acho que, deveríamos sim colocar a nossa colher, o que ajudaria evitar grandes prejuízos.

Anos atrás ao desenvolver um projeto para um dos grandes grupos educacionais do país, numa reunião conjunta, se apresentou o novo local dos estúdios do grupo. Somente esta parte do projeto tinha custos muito significativos, uma vez que receberia todos os equipamentos de gravações para os cursos on-line do grupo inteiro.

Uma pergunta simples, quem estava cuidando da proteção atmosférica, provocou um mal-estar geral. O responsável pela obra disse que o sistema de para-raios estava ok. Retruquei que para-raios não protegem e perguntei se ele sabia quantos raios caiam por ano no local por ano. Ele não sabia. Eu disse que não importava muito este número. O que importava era saber qual a probabilidade de um raio catastrófico cair. Indaguei se eles gostariam que fosse 10.000, 100.000 ou milhão de anos???? Ele considerou exagerado, e disse 10 anos. Uma década não confere segurança ao sistema e ele não sabia do que falava (na verdade nem eu, pois não sou especialista, mas graças a um grande amigo e especialista, eu podia oferecer estas indagações)

Nos trabalhamos mal com grandes números e dados estatísticos. O número parece excessivamente alto para um evento banal, um raio cair num para-raios. Acontece que o estúdio em questão abrigava equipamentos de custo altíssimo e a paralização de funcionamento implicaria em suspenção de trabalhos e cursos essenciais ao trabalho da empresa.

Quando falamos em, por exemplo, um milhão de anos, o número excede em muito a vida, inclusive do sapiens. Acontece que os cálculos não afirmam que o evento acontecerá no último dia do prognóstico. Ele pode ocorrer no primeiro, inclusive. Assim quão maior for o tempo decorrido para a ocorrência do evento tanto mais seguro estarão os equipamentos.

Arquitetos podem e devem entrar em questões de obra sim, possibilitando, com seu conhecimento multifacetado, ajudar a melhorar as condições gerais das obras.

rachaduras do prédio

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