BAÚS, ARMÁRIOS, CLOSETS E QUARTOS

BAÚS, ARMÁRIOS, CLOSETS E QUARTOS

Se você dorme num quarto, razoavelmente confortável, você tem uma dívida com a senhorinha acima, Catherine de Vivone de Savelli, uma marquesa do século XVII, que por razões especificas, inventou e criou aquilo que chamamos de quarto. Essa história do quarto vale a pena ser contada.

Aparentemente os quatro elementos, da chamada, têm pouco a ver um com o outro.

Ainda que estejam ligados pelo uso, mas ao analisarmos, com um pouco maior de profundidade, veremos uma linha evolutiva entre eles, e em certa medida os baús e armários são os avós do quarto.

Baús e armários servem para a guarda de roupas, louças e armas. E eles tiveram uma importância grande na antiguidade. Eles eram os bens móveis, ou seja, os que podiam ser movidos conforme a necessidade. No caso dos nobres eram transportados de casa para casa. Não havia roupas sobressalentes. Closet deriva do francês antigo e significa local fechado, em geral para estudo ou prece, pode ter tido origem em “cubiculum”, local de reclusão. Ele é atestado a partir do século XVII, exatamente quando surge o quarto de dormir, separado de outros cômodos.

Armários acabaram por se tornar também guarda-roupas, substituindo com vantagens o baú que guardava a roupa e as de cama também, quando estes acessórios se tornaram mais baratos e acessíveis.

A introdução de tecidos de algodão, a partir do século XVII, de origem indiana, trouxeram um conforto maior, barateamento de preços e consequentemente permitiu um acesso maior ao bem. A corte francesa em parte foi responsável pelo processo ao introduzir seu uso, a despeito do rígido ritual das vestimentas e da proibição real. Seu uso foi de roupas a estofamento, passando pelo revestimento de paredes dos quartos.

O armário era o móvel mais importante na casa burguesa, século XVII, conforme descreve o arquiteto Witold Rybczynski, em seu livro sobre a casa.

O armário servia não somente como acessório de guarda, mas também como uma exibição publica de poder e riqueza. A guarda de porcelana e sua mostra identificava a opulência de seu proprietário.

O que nós chamamos de closet eram os garde-roube, ou guarda roupa. Na França os nobres eram obrigados a um rígido cerimonial, que envolvia a utilização de roupas especificas diante do rei. Era necessário um espaço para a guarda destas vestimentas. Hoje em certa medida temos um problema desta natureza, a quantidade de roupas que possuímos extrapola em muito a capacidade dos armários que temos em casas e apartamentos. Poucos, talvez, se lembrem como eram os armários nos quartos, não faz muito tempo, como da Fig.1.

Fig.1 Antigo Guarda Roupa. Foto do autor.

A noção moderna de um quarto privado e distinto de outras partes da casa é um conceito bastante recente na história da arquitetura, algo como 370 anos, somente a partir do século XVII é que a separação compartimentada da moradia surgiu. Começou nos palácios e casa de nobres e depois se espalhou, levando lentamente a outros segmentos da população. A casa simples não possuía compartimentos era um ambiente único. E mesmo, os mais ricos os quartos eram ligados uns aos outros, assim para se atingir um determinado cômodo deveria se passar por todos outros.

Fig.2. Abraham Bosse 1633. O casamento na cidade: A visita à criança

Olhando a fig.2 podemos considerar como um quarto perfeitamente normal aos nossos olhos: mulheres visitando sua amiga com as crianças. O quarto nos parece comum com luxo evidentemente, a lareira no quarto, uma grande cama, o ambiente bem decorado, cadeiras para todas (não era comum, a não ser em casas de pessoas de posse). Mas o que vemos aí, não era comum, são as primeiras imagens de quartos que começaram a surgir a partir do século XVII, não é possível saber ali, dado o ponto de vista da perspectiva, se o quarto se abre a outros espaços, a porta entreaberta parece indicar a um corredor ou galeria, as dimensões do quarto parecem ser reduzidas, face ao que era usual nas grandes casas.

O quarto era até o século XVII um ambiente público, não tinha a característica privada que possui hoje. Era local de visitação, conversa e refeições (a sala de jantar não estava ainda estabelecida claramente). Em 1630 uma mulher chamada Catherine de Vivone de Savelli, a Marquesa de Rambouillet, que sofrendo as agruras de um frio congelante na sua “chambre”, enorme e mal aquecida, transformou seu “garde-roube” (um closet, em termos modernos) num quarto privado, o que era incomum. Portanto aí se encontra a origem do nosso quarto de dormir e de outros pequenos afazeres.

 

REFERÊNCIAS:

[1] A etimologia pode nos levar a lugares errados, entretanto a base de armário, contém arma e é um derivado correto, podendo ser local de guarda de armas ou de roupas de guerra. Sua utilização se consolidou como guarda de louça e roupas.

 

[2] A filha de Luís XIV, Louise-Françoise de Bourbon, mais conhecida como Madame la Duchesse era uma apaixonada pela modernidade e a despeito da proibição de seu pai, ao algodão, utilizou e divulgou este tecido pela corte francesa.

 

[3] A expressão robe de chambre, em português roupão e que seria simplesmente roupa para se usar no quarto, passou a ser utilizando em todos os ambientes quando o algodão se tornou acessível. Os vestidos e roupas de algodão, eram usadas inicialmente somente no ambiente íntimo.

 

[4] Para um aprofundamento: DEJEAN, Joan. O século do Conforto quando os franceses descobriram o casual e criam o lar moderno. Civilização Brasileira. Rio de Janeiro. 2012.

 

[5] No filme Vatel: Um banquete para o Rei, de Ronald Jeffé. É possível ver como eram esses cômodos, antes da introdução das galerias que permitiam o acesso a quartos específicos sem se passar por todos os outros. É uma criação francesa e a palavra “galeria” como local de exposição de arte, é muito pertinente, pois seu criador o fez com duplo intuito expor sua grande coleção e possibilitar a circulação em separado.

 

[6] RYBCZYNSKI Witold. Pronuncia-se “Vitold Rubchesqui”. Arquiteto e escritor inglês. Escreveu inúmeras obras importantes, destacando-se “Casa: História de uma pequena ideia”, obra essencial a quem se interessa pela história da arquitetura e deveria ser obrigatória nas faculdades de Arquitetura.

 

[7] A porcelana até o século XVIII era importada da china e tinha altíssimos valores. A partir do trabalho de Johann Frederick Böttger, que descobriu o processo de fabricação foi possível sua fabricação na Europa, para mais ver o livro: GLEESON, Janet. O Arcano. Rocco Editora. Rio de Janeiro. 2012.

 

[8] É possível que este frio já fosse um sinal da pequena idade do gelo que atingiu a Europa no século XVII.


JANELA PARTE 1

JANELA PARTE 1

Janela, janelinha, porta,
campainha, trimmmmmmmm!!!

Por que falar de janelas?
Dou aula numa faculdade de arquitetura. E poucos tem noção da importância das janelas, nas residência e nos ambientes de trabalho. Alunos¹ durante 5 ou 6 anos decerto não aprenderão a sua história e relevância na arquitetura. Este artigo é dedicado a eles.
A singela brincadeira, em epígrafe, utilizada por pais e avós nos rostos das crianças, apertando ao final, o nariz, revela um pouco de como a arquitetura está ligada à nossa percepção, sem que tenhamos notado. A casa como um corpo e o corpo como uma casa.
A janela são os olhos, que permitem uma dupla interpretação, vêem fora e nos deixam ver dentro. É uma passagem.
A etimológica da palavra janela tem origem na palavra latina “ianuella² ”, diminutivo de “ianuas”, porta passagem, acesso³ . Ou seja, a janela é uma pequena porta, mais precisamente meia porta, pois ela se refere a parte superior da porta que era dividida, permitindo a entrada de iluminação e ventilação e impedia, na parte de baixo, a entrada de animais.
Existe uma palavra em latim e português, ‘fenestra’ que significa janela e é pouco usada em português, apesar de existir. Usamos mais um derivado que é defenestrar, que significa jogar pela janela. Essa palavra pode ter sido originada do grego “φαίνεω “(faíneo, eu olho).
A palavra window, em inglês, tem origem no Nórdico antigo ‘vindauga’, de’vindr – vento’ e ‘auga – olho’, i.e., olho de vento4 . se refere a um buraco por onde passa o vento, ou seja a ventilação. E é também um olho que vê,
A aproximação com janeiro, não é por acaso, a imagem de “Ianus’ o deus bifronte, que guardava o interior das casas e espantava os espíritos malignos estava em geral acima das portas. Janeiro é o mês que fecha o ano anterior e se abre ao novo. Extamente como faz uma janela.
A ligação entre porta e janelas, é evidente, não só etimologicamente como fisicamente. A janela deriva da porta (da porta falaremos num outro post).
O avanço no conhecimento construtivo e arquitetônico possibilitou através da colocação de vergas estruturais a existência inicial das portas e posteriormente das janelas. Ver figuras abaixo.

 

Fig.1 Fachada sem janela

Fig.2 Fachada com janela

 

 

 

 

 

 

 

 

A exemplo de outras inovações que a casa moderna possui, a janela é uma aquisição recente. Praticamente todas as casas tem uma coleção delas. São aberturas que permitem a ventilação e iluminação dos cômodos.
A maioria do tempo as casas não possuíam as aberturas, seja por dificuldades técnicas, a abertura de vãos requer paredes mais robusta e estruturadas de forma a permitir a instalação das janelas. Em geral a única abertura que possuíam era no teto para a ventilação, iluminação e saída de fumaça. A janela representou um passo importante na arquitetura.
É um detalhe que por vezes passa despercebido, tal é a presença das janelas na vida contemporânea. Nos arquitetos e decoradores, não damos, creio eu, a devida importância a esse aspecto da arquitetura, seja enquanto um aspecto importante na história da arquitetura, seja quanto sua importância técnica.
Uma viagem no tempo, serve não só para trazer a importância deste elemento da moradia, bem como mostrar a nova geração de profissionais, como olhar com mais atenção a este elemento arquitetônico.
Cada elemento da casa conta uma história importante na evolução da moradia, este blog tem a pretensão de levantar estes detalhes aqui e contar coisas a respeito destes elementos e se for possível dar direções as inovações ocorridas na atualidade. Tanto a janela quanto a porta guardam referencias importantes, que nós, ao abrirmos uma janela ou passarmos não nos damos conta.Desconhecemos o fato de que as portas foram personagem importantes em tragédias como a do terremoto de 1755 em Portugal. Não sabemos que janelas pagavam altos impostos até o século XIX. Tudo isto serve de repertório aos arquitetos e decoradores que queiram buscar algo além das fotos nos jornais e revistas. Somente as casas dos mais ricos e poderosos no período greco-romano possuíam janelas. Algumas até com vidros, como mostra a fig. 3

Fig.3 Pedaço de vidro romano.

Os romanos, foram os primeiros, ao que se saiba, a utilizar a tecnologia que eles desenvolveram a partir dos egípcios. Mas demorou muito para que se consegui obter vidros com transparência como temos hoje.
Se pudéssemos espiar uma casa na idade média, nosso nariz sofreria bastante, acostumados a uma higienização constante. Mas nossos olhos se surpreenderiam mais, ao não encontrarmos luz facilmente. Não havia para a maioria das pessoas, uma janela que pudesse iluminar o ambiente (no mais das vezes era até melhor!!!) para que pudessem enxergar e se movimentar.
As janelas no século XIII, se resumiam, na verdade a um buraco no teto e a metade da porta que poderia se abrir.
Quando existiam janelas, não haviam vidros. Papel encerado, tecido, pele de animais, ou chifres (sim, osso raspado até se obter uma pequena placa) ou mesmo madeira eram utilizados para dar alguma transparência e proteger um pouco contra as intempéries.
Antes de avançarmos, seria interessante cria um diferencial para as janelas. Uma classificação. Genericamente, poderíamos classificar as janelas em 3 categorias. Obstrutiva, Eurônotas e Iluminantes.
Obstrutivas são aquelas que vedam tanto ventilação quanto a iluminação e provavelmente pertenceram as primeiras gerações de janelas e aberturas. Podiam ser abertas ou fechadas, mas ao serem fechadas obstruíam a visão e o arreamento do cômodo. A implantação das primeiras janelas, se deu a um único cômodo, uma vez que a subdivisão das habitações, a exceção dos castelos, aconteceu de maneira generalizada a partir do século XVII.
Eurônotas são aquelas que permitem a ventilação e permitem ou reduzem a iluminação. Seu nome deriva do grego, ευνότιο, “Eûros” ventos do este e “νότιο,nótos” ventos do Sul e da chuva. Para os gregos e romanos se referiam os ventos predominantes do Sudeste. Assim as janelas que incorporam inovações importantes como a venezianas e treliças(muxarabi).
Iluminantes, como a própria palavras diz são aquelas que permitem ampla iluminação, através da incorporação de papel oleado, pele, madeira ou vidros.
Continua Parte 2…

REFERÊNCIAS

¹ Na verdade, não só alunos, os profissionais da área, em geral também desconhecem.

 

² A pronúncia de “ianuella” é “januella”, é ajustado ao português com a letra “J”, entretanto, o latim não possuía o jota que foi uma criação francesa do século XVI, uma adaptação para diferenciar novos sons do francês.

 

³ Para um olhar mais aprofundado ver JORGE, Luís Antônio. O Desenho da Janela. São Paulo. AnnaBlume.1995.

 

4 Para mais detalhes visitar: https://en.wikipedia.org/wiki/Window


ARQUITETURA DE M*RDA PARTE 2

ARQUITETURA DE M*RDA PARTE 2

As cidades medievais eram imundas, sujas e fedorentas, e segundo a expressão de São Bernardo: onde todo mundo fede, ninguém cheira mal.

Toda espécie de imundices estava jogada nas ruas e vielas. Mesmo dentro das casas na sua maioria, não haviam pisos, portanto, escarros, cuspe e restos de comida, quando não o número 1 ficavam espalhados pelos cantos.
Lembrando aqui que os utensílios domésticos eram móveis, portanto camas e banheiros eram transportados nas viagens de reis e nobres.

Quando surge o quarto, por volta de 1660, ou seja, em pleno século XVII, um espaço privado (chamado de petit appartment) e o quarto de banho aparecem, como necessidade e intenção de restringir uma atividade que em geral era pública. É bom lembrar que Versalhes com seus 700 quartos não contava com um só banheiro, no sentido moderno (ressalte-se que havia salle de bain, mas não possuíam privadas nem esgoto).

Por volta do século XVII, surgem, para a alta classe e monarcas as primeiras privadas portáteis. Luís XIV possuía várias e sua utilização era pública e sinal de prestígios para aqueles que assistiam o rei fazer suas necessidades. Seu uso iria se multiplicar com os nobres e burgueses querendo este moderno equipamento.

Começa surgir na sociedade uma noção mais clara entre o público e o privado, fazendo com que certas atividades, antes públicas, passem a serem realizados no privado. No excepcional filme Vatel – Um Banquete para o Rei tem uma cena onde o rei é acompanhado por um séquito, fazendo suas necessidades.

O número 1 era feito em qualquer lugar, pelos cantos do palácio. O número 2 era feito em pinicos e jogados ao jardim. Por que vocês acham que Versalhes tinha e tem jardim fantásticos????

O avanço da ciência e novas descobertas eliminaram o conceito de miasma (de que as doenças vinham pelo ar) e se passou a enxergar de maneira cientifica e metodológica os problemas de higiene.
Os sanitários e banheiros ficavam normalmente separados, até hoje é possível ver esta separação em apartamentos franceses e americanos. No caso brasileiro, no início estavam separados, mas na sua inserção no interior das residências já se fez a unificação.

O século XIX verá surgir as novas atitudes higienistas, vindas a partir da Alemanha irá se estender por toda Europa e o mundo. A Inglaterra irá iniciar a instalação de esgotos em Londres depois do terrível ano 1858, quando a sessão do parlamento teve que se fechado, por conta do cheiro fétido do esgoto jogado no rio Tamisa.

Esta onda higienista fará diversos países investirem em redes de esgotos de grandes capacidades. Londres, Munique, Paris e Rio de Janeiro passam a contar com uma rede de escoamento de esgoto, o que rapidamente trará os sanitários para dar maior conforto, próximo ou mesmo dentro de casa.
Uma revolução sanitária coloca o mundo na trilha correta e milhões de mortes são evitadas, embora ainda que hoje, por falta de saneamento, continue a trazer a tragédia a diferentes países.

No século XXI, mudanças de grandes dimensões começam a ocorrer nos banheiros, é depois da cozinha a área da casa a receber maiores impactos tecnológicos e inovações.

O conceito meramente sanitário se expandiu e a noção de bem-estar é cada vez mais presente. O banheiro passa a ser um “spa” doméstico.
A palavra SPA, um topônimo, vem da cidade de Spa, próxima a Liége, Bélgica. É uma cidade conhecida desde a antiguidade por suas águas termais e curativas. Aquae Spadanae, denominação possivelmente relacionada com “spargere” (em latim, ‘lançar aqui e ali, espalhar’ (gotículas)Existe uma falsa etimologia, que sugere que Spa significaria Sanitas per Aquam, não existe fundamento etimológico para isto.
Existe na Inglaterra uma cidade com o nome de Bath, uma antiga dominação romana, famosa por suas construções de banhos públicos e águas termais também.

A vida moderna com suas inúmeras interações pede que haja um momento de repouso no retorno ao lar. Já há alguns anos que a casa vem se modificando e se fundindo. A cozinha se fundiu com a sala, desapareceu a sala de visitas, e o quarto, uma invenção recente (1660) se mesclou com o banheiro. O cômodo que até pouco ficava fora da casa, está ao lado da área de repouso.

Bacias com capacidade de análise médicas e com conexão com a internet lançam informações sob o estado de saúde seus usuários. Os chuveiros vêm dotados de diferentes pressões e chegam a ter iluminação de led para as terapias de cromoterapia. Sistemas de aquecimento, seja solar ou promovido por células fotovoltaicas (para a eletrificação, bombas pressurizadoras e sistemas computacionais) elevam a qualidade do banho a níveis nunca vistos. A introdução em breve de pisos, com capacidade de armazenamento de dados, como peso, controle de temperatura e muito mais, estarão em breve no mercado. Utilização de banheiras, a partir da utilização de resinas, modificou as antigas e pesadas banheiras de ferro. Mecanismos de pressão e jatos d’água transformam a simples limpeza do corpo, num verdadeiro tratamento de saúde.

Vale a pena conhecer algumas das novidades que estarão presentes nos banheiros em breve:


https://nebia.com/pages/nebia-products
https://evadrop.com
https://skarptechnologies.com/https://www.us.kohler.com/us/Kohler-Introduces-Voice-Command-Technology-Into-The-Bathroom,-Announces-New-Smart-Home-Products-With-%E2%80%98KOHLER-Konnect%E2%80%99/content/CNT131200001.htm

https://www.electricmirror.com/mirror-tv-glass/


UMA ARQUITETURA DE M*RDA PARTE I

UMA ARQUITETURA DE M*RDA

O conforto para nossas necessidades fisiológicas só encontrou lugar muito recentemente, nos nossos banheiros modernos.
O banheiro tem uma longa história, mas grande parte dele fora de casa.
No caso brasileiro principalmente o banheiro entrou muito recentemente em nossas casas. Foi somente a partir do século XX, que este espaço passou a fazer parte do corpo da residência.

Quando nos abandonamos a caça e coleta a 12.000 anos atrás a necessidade de se segregar esta atividade surgiu. Mas não a palavra!
Caçadores-coletores caminham em média 12km por dia, suas necessidades são feitas ao longo do caminho e não há necessidade de um espaço físico para isso. Nem a palavra também.
A fixação dos humanos em determinados locais, fruto da agricultura, não trouxe, ao contrário do que se pensa, vantagens iniciais, para aqueles que a adotaram. A proximidade dos dejetos contaminou a água e trouxe doenças. Ao cabo de alguns milênios os primeiros agricultores chegaram a diminuir 10 centímetros em sua estatura. Fruto da monocultura e do déficit alimentar e de doenças dizimantes.

A primeira coisa a ressaltar o tabu linguístico que envolve a palavra. Tabu linguístico é quando evitamos pronunciar uma palavra, seja por conta da moral, proibições, medos e superstições, e a substituímos por outra, número 1 e número 2 por exemplo.
No caso do banheiro, local para tomar banho, evita-se dizer as outras atividades ali desempenhadas por mero recato de se explicitar o que acontece lá dentro.

Etimologicamente banheiro é o local do banho. Em praticamente todas as línguas o tabu se repete. Water closet, restroom, salle de bain, hammam, Badezimmer, sempre se referem ao banho.

As palavras em português retrete e mesmo latrina se referem a um espaço restrito, mas não diretamente a função de evacuar (um dos sentidos de lav- latino é escoadouro). A razão para não haver ou haver referência, é que o banheiro não era conhecido na antiguidade como nós os utilizamos agora.
Quando analisamos o período greco-romano não encontramos o banheiro inserido dentro das habitações, simplesmente não havia um local como nossos banheiros. A exemplo dos tigres1 brasileiros existiam os επιστάτες κοπρώνων (epistátes koprónon, os cuidadores de excrementos). Provavelmente recebiam dinheiro para retirar os dejetos das casas e o revendiam para fazendeiros para a produção de fertilizantes.
Palácios e residências dos poderosos podiam contar com sistemas de esgoto e drenagem, mas isto era inacessível a maioria da população. Existem referências de 3000 AEC2 em Knossos, Creta de sistemas de descargas com água em fluxo.

Os gregos não possuíam uma palavra específica para banheiro, aliás nem havia na casa um local exato para isto. A palavra τουαλέτα (toualéta) é um empréstimo do francês.

No período romano, foi desenvolvido um amplo sistema de fornecimento de água, através dos aquedutos e a construção de locais para o despejo de dejetos humanos, a Cloaca Máxima. Os romanos possuíam os banhos públicos, que forneciam local para o asseio do corpo, conversas e privadas. A figura abaixo mostra a razão da conversa ter entrado no meio da história. Os romanos levaram aos mais distantes rincões do império suas técnicas, ciência e conhecimentos com a água.

Os romanos não tinham em casa, banheiros. Eles em geral iam aos banhos públicos. Era uma atividade além de higiênica, social. Se conversava enquanto de desempenhavam as atividades, digamos primarias.

 

PRIVADAS PÚBLICAS ROMANAS

 

Um outro fato curioso entre os romanos, é que havia coleta e compra de urina. Utilizada na limpeza das roupas!!!(por conta das qualidades da ureia) e sua utilização no tingimento e fixação de cor nos tecidos.

O judaísmo, tem uma forma de utilização dos banhos como forma de purificação: mikveh. A imersão em água seja para a conversão, rituais de purificação. O banho é um aspecto ritualístico da religião.

Na religião católica não há um rito sobre o banho, a não ser o batismo. A religião não desenvolveu um processo ritualístico que envolvesse o banho ou que tivesse outros aspectos ligados a higiene.

Os árabes irão receber esta influência e junto com os ensinamentos do islã iram estabelecer regras restritas de limpeza. A prece, um dos pilares do islamismo, obriga seus praticantes a se lavarem antes das 5 preces diárias. A partir das cruzadas eles influenciaram o ocidente com o retorno dos banhos públicos que haviam desaparecido após a queda do Império Romano.

Eles seguem rigorosos preceitos do Wudu, que indica como e que partes devem ser lavadas antes das preces. Isto envolve não so as partes visíveis do corpo, bem como as íntimas.

(continua…)

1. Escravos que no Brasil, transportavam toneis de excrementos para serem jogados no rio ou mar.

2. AEC e EC Antes da Era Comum e Era Comum, é utilizado pela comunidade cientifica e é mais inclusivo do que AC e DC.


A ARQUITETURA DO LIXO

A ARQUITETURA DO LIXO

 

Nós somos produtores de uma quantidade enorme de lixo. Em média 383 quilos por pessoa por ano. Ou aproximadamente 1 quilo por dia. Para uma cidade como Campinas é uma montanha de lixo todos o santo dia!

O lixo sempre representou um problema mal resolvido pela civilização. Os romanos, em 200 EC já havia um serviço que se assemelhava ao que hoje temos como os lixeiros. A nossa palavra lixo é de origem etimológica controversa e obscura, teria se originado através da palavra lixívia, um produto desinfetante, na antiguidade produzido a partir das cinzas e soda cáustica, hoje aqui conhecido como águia sanitária.

O lixo é uma forma de descarte de material que sempre foi problemática nos agrupamentos humanos. A imagem de inferno como um local com fogo e cheirando a enxofre se deve ao lixão de Jerusalém, mais conhecido Geh Ben-Hinom ou literalmente “Vale do Filho de Hinom” que  é um vale em torno da Cidade Antiga de Jerusalém, e que veio a tornar-se um depósito onde o lixo, animais mortos e os corpos de crucificados(sim, ele pode ter sido jogado lá!) eram incinerados. O enxofre alimentava um fogo perpétuo no local.

O lixo até o século XIX era jogado diretamente nas ruas e calçadas. A expressão de alerta: água vai! Era o único aviso de que mijo estava sendo jogado, quando não coisa pior.

Somente a partir de 1875 se tornou público o serviço de coleta de lixo, na Inglaterra.

No Brasil durante muitos anos, um serviço infame, era conhecido como “tigres”, escravos que carregavam tonéis cheios de estrume humano, estes vazavam e manchavam os corpos, daí o apelido. Mas o lixo como restos de alimentos e descartes eram jogados nas ruas.

Em 1876 poder-se-ia dizer a data da implantação do serviço de limpeza pública no Brasil, através da contratação de uma empresa privada para a execução do serviço, a empresa de Aleixo Gary (sim, a palavra gari é derivada do nome dele), isto no Rio de Janeiro.

Se olharmos o outro lado do mundo, veremos o Japão, como uma outra forma de encarar o lixo. Lá a responsabilidade pelo lixo é total para os moradores. Ou seja, você deve dar cabo de seu lixo, e colocá-los corretamente nas latas de lixo correta, ou corre o risco de ver seu lixo devolvido. O caminhão de lixo, pode passar semanalmente, quinzenalmente, mensalmente ou até anualmente, de acordo com o tipo de lixo disposto. Todo cidadão tem um manual de lixo. O manual tem só 42 páginas!

A partir das preocupações higienistas do século XIX este panorama vem se alterando lentamente. E somente a partir das preocupações ecológicos, já nos anos 60 do século XX, é que o lixo começa a ser encarado nas suas verdadeiras dimensões.

A arquitetura ainda não enfrentou este problema de cara. Não possuímos uma solução adequada dentro de casa para a eliminação e descarte da enorme quantidade de lixo que geramos. A separação de tipologia de lixo, o reaproveitamento e reciclagem são extremamente baixos.

É evidente que um trabalho de mudança de hábitos e educação ambiental é fundamental, mas este não é um problema específico para a arquitetura.

As soluções que surgem em geral são exógenas, ou seja, vem de fora da residência, aí seria interessante criar um novo espaço “usina de lixo” ou “área de lixo” fazendo um paralelo com a área de serviço[1]. Uma área destinada ao tratamento do lixo que produzimos. Este espaço poderia separar de maneira eficiente o lixo, reciclar, produzir compostagem enfim processar o lixo de maneira mais eficiente.

Fig.1 Triturador da Insinkerator (produto disponível no Brasil)

Hoje existem equipamentos que podem auxiliar de forma eficiente o tratamento do lixo em casa. O primeiro são os trituradores, que moem parte do lixo orgânico e facilitam e diminuem os trabalhos de limpeza do esgoto. Seu uso massivo traria enormes benefícios aos serviços de tratamento de efluentes e esgotos.  Eles são 70% água e seu consumo é baixo. Diminuem a produção de metano, evitando que grande parte do lixo orgânico chegue aos lixões. Deveriam ser obrigatórios nas residências a partir de um certo porte, e subvencionadas a aqueles que não podem pagar. O financiamento viria dos recursos economizados com os serviços de lixo.

A compostagem caseira, é de fácil construção, um balde furado e pedrisco areia e folhas. Uma sofisticação desse equipamento pode ser vista na fig2. É um produto[2] que os americanos desenvolveram e seu uso tem crescido nos últimos anos. Diversas inovações tem surgido com a crescente preocupação com o lixo.

Fig.2 The FoodCycler FC-30

fig.3 Zera, máquina de compostagem, da Whirlpool

Os produtos são desenvolvidos por grandes corporações e por pequenas e inventivas. Com a utilização de ingredientes ou não. Os arquitetos deverão em breve prever estes equipamentos nas cozinhas. As cozinhas são o espaço da casa que mais tecnologia tem recebido. E pouca atenção tem sido dada, uma vez que tudo é eletrificado, os arquitetos tem poucas preocupações com pontos de energia e dados nas cozinhas. A colocação de roteadores sobre as portas de cozinhas se tornara mandatório em pouco tempo.

 

 

 

 

 

 

[1] A área de serviço guarda este nome em função não ao serviço, mas a serviçal que executava ali seus trabalhos. A verdadeira área de serviço é a casa toda, que demanda trabalhos de limpeza e manutenção.

[2] Para ver mais aqui https://www.youtube.com/watch?v=DdJSBZn3ehU e aqui: https://www.youtube.com/watch?v=1MpM8fq73G8 e aqui: www.insinkerator.com


ARQUITETURA E A TECNOLOGIA 5G

ARQUITETURA E A 5G

Os arquitetos em geral se gabam de estarem na vanguarda das tecnologias. Não é isto que parece estar acontecendo agora. Estamos no limiar de uma revolução será comparável a invenção da imprensa ou a introdução da eletricidade em nossas casas. Entretanto poucos estão se dando conta dos impactos que as novas tecnologias terão em nossas vidas em pouquíssimos anos.
A pergunta é simples; arquitetos estão preparados para as inovações que estão ocorrendo? Nossas casas estão sendo preparadas para as tecnologias que deverão embarcar todos os aparelhos por nós utilizados?
A resposta é um sonoro NÃO!
Nossas casas e escritórios são mal adaptadas até para a eletricidade (que ao contrário do feng shui é a única energia que passa pela sua moradia). Não é incomum encontrarmos dormitórios com uma ou duas tomadas, somente. Arquitetos e engenheiros elétricos não se deram cota que todo nosso futuro é elétrico. Ou seja, a nossa casa e escritório será cada vez mais dependente da energia elétrica, seja ela fornecida pela concessionaria ou produzida localmente.
A revolução que se avizinha é a 5G, ela tem 100 vezes a velocidade da atual, tem baixa latência¹ e robustez o que significa que inúmeros aparelhos serão conectados sem que isto afete a rede. A habitação, seja ela moradia ou trabalho, deverá estar adaptada a ela. Sabemos que aquilo que está feito é mais difícil de se preparar, mas aquilo que está preparado barateia substancialmente as adaptações necessárias.
A comunicação e conexão será omnipresente, todos os aparelhos serão conectados, na chamada IOT (internet of Things, ou a Internet das Coisas). Para isto nossos habitáculos deverão estar condicionados as diretrizes de redes e comunicações. Isto em principio significa que teremos que revisar todas as instalações elétricas e de redes de nossas casas e escritórios. Até nossa rede hidráulica e de esgotos poderão estar conectadas, poderemos ligar e desligar nosso banho a distância, desligar uma torneira que esquecemos ligadas ou fechar a janela diante da eminência de uma chuva.
Arquiteto trabalha ou deveria trabalhar com o sentido etimológico da palavra projeto. Lançar a diante, prever, precaver para que seu projeto não seja apenas um fóssil arquitetônico.
Esta revolução afetará tudo e a todos e sem o preparo seremos atropelados por ela. Não temos o direito de nos afastarmos destas questões. Volto ao assunto em breve!

¹. Período de latência é o tempo de resposta dos equipamentos. Latência é o tempo que passa do momento em que as informações são enviadas de um dispositivo até que possam ser usadas pelo destinatário. A rigor, você andando, com seu carro, inexistindo outros, por uma avenida que todos os sinais estivessem abertos para você. As conexões passam a ser imediatas.


INDUSTRIA 4.0 E OS IMÓVEIS

INDUSTRIA 4.0 E OS IMÓVEIS

A confiança foi a base para a constituição de uma das mais persistente forma de negócio criada pelos seres humanos; o dinheiro. No século VI AEC, numa região onde hoje se encontra a Turquia, Creso, o rei da Lídia, propõe a cunhagem de moedas, uma forma revolucionaria de comercializar bens e propriedades. O mercado nasce ali.
A confiança deriva do fato de se crer que a aquele pedaço de metal, seja ele ouro, prata ou cobre, seja a referência confiável a um valor abstrato. Esta crença possibilitou o nascimento do papel moeda, cujo valor é na verdade a crença de que ele vale algo e que este valor é aceito por todos, indivíduos, empresas ou países.
Antigamente (isto já no século XX) o valor correspondia a uma determinada quantidade de ouro depositado na Casa da Moeda. Esse valor hoje é submetido a variações do mercado, sendo que ele estabelece o quanto vale.
Portanto a confiança é peça fundamental nas negociações humanas. Sem ela não poderia haver os negócios, o comercio nem um capitalismo.
É preciso lembrar que a escrita nasce não do desejo de se contar histórias, mas na necessidade de contar coisas e dar uma relação social aos bens. A escrita se inicia, na contabilidade e não na literatura. O Código de Hamurabi, um dos mais antigos conjuntos de leis, trata a propriedade de imóveis e de outros objetos, não só no sentido, de expressar a sua propriedade por alguém, mas a decorrência que aquele bem tinha em seu meio social.
Numa das primeiras tabuletas de barro encontradas havia uma expressão: vivemos épocas de grandes transformações. Essas transformações foram as grandes revoluções que trouxeram a humanidade até o estágio atual.
Agricultura, dinheiro, imprensa, o vapor, a eletricidade e os computadores representam estas grandes transformações. Agora mais do nunca essas profundas e radicais alterações das estruturas de comercio e mercado estão se alterando em velocidades estonteantes.
Dentre essas revoluções em curso, uma que pode impactar de forma mais disruptiva e abrangente é a Industria 4.0.
INDUSTRIA 4.0 é uma revolução, disparada a partir de 2011, na Alemanha inicialmente e posteriormente em outros países.
Essencialmente trata-se da aplicação das inovações obtidas nos últimos anos, IA (inteligência artificial), nanotecnologia, computação nas nuvens, bigdata, blockchain , IOT¹ (Internet of Things, Internet das Coisas).
Essas aplicações são tomadas não mais separadamente, mas em conjunto e em tempo real.
Tudo e todos serão afetados a curto, curtíssimo prazo. E as chances perdidas não serão recuperadas.
Como todos os campos serão afetados, os imóveis, suas negociações de compra e venda, valores e registros serão alteradas de maneira profunda em pouquíssimos anos.
É assustador a falta de atenção dos governos em todas as esferas e as atuações privadas são bastante modestas para a envergadura e a dimensão do país.
Por um paradoxo, os imóveis são exatamente aquilo que a etimologia diz; aquele que fica parado, sem movimento. A natureza desta revolução é exatamente ao contrário, extremamente dinâmica e instantânea.
As inovações estão ocorrendo em todos os campos e as oportunidades estão cada vez mais ao alcance das mãos, ou melhor aos toques do teclado. Praticamente toda e qualquer operação pode ser dinamizada através de algoritmos e dos aplicativos que vão direto aos smartphones.
A compra e venda de imóveis não está fora do alcance desta revolução. É realidade em alguns países e em breve deve bater as nossas portas.
IA e a tecnologia Blockchain vão revolucionar a forma como vendemos e compramos os imóveis. Entender um pouco destas tecnologias é uma forma efetiva de proteger os negócios. E aqui vai um alerta, por vezes achamos que estas transformações vão demorar a se abater sobre nós. Veja o caso do sapateiro. De forma muito rápida esta atividade acabou por desaparecer. Restam uns poucos abnegados. Os taxis estão enfrentando uma concorrência absurda e olhando um futuro muito próximo a tendência e o seu desaparecimento.
Os advogados terão um mercado extremamente reduzidos pela IA. Hoje alguns escritórios, já no Brasil, utilizando esta tecnologia, demitiram, num caso, 150 profissionais substituindo por análises feitas por algoritmos que podem em segundos analisar milhares de casos e encontrar a melhor forma de proceder no caso. Ao advogado resta dar redação final e acompanhar o caso.
A disponibilidade de dados em grande escala, os “bigdata” serão outra forma de se ver os compradores e os imóveis. A possibilidade de varrer informações e encontrar entre milhares de opções a melhor para aquele determinado cliente irá impactar de maneira definitiva a compra e venda.
O blockchain é uma tecnologia de livro razão, ou seja, todas as transações são feitas pelas partes e não há terceiros. Ela oferece alta confiabilidade, segurança, acompanhamento de toda as transações, desburocratizada, sem interferência de terceiros (cartórios, bancos e governos) imunidade e rapidez
Esta tecnologia irá disruptir [sic] com o modelo que os cartórios atuam pois ela age como um livro de contas digital, confiável, imutável, visível para todos os participantes, que mostra todos os elementos da transação de forma transparente e por um custo extremamente barato.
As transações imobiliárias têm uma dependência de uma rede de confiança que bem ou mal vem funcionado a séculos. Mas isto está prestes a sofrer uma reviravolta de proporções catastróficas.
Assim como advogados, agentes de seguro, funcionários bancários os corretores e tabeliões correm o risco de um desaparecimento total. No caso dos tabeliões não vão deixar saudades.
A utilização do blockchain e das chamadas criptomoedas vão levar o setor, em pouquíssimo tempo, a condições de alto risco.
A revolução da INDUSTRIA 4.0 tem uma característica própria das revoluções que é a chamada destruição criativa, que é, o desaparecimento de uma atividade e sua substituição por outra. Outra característica é sua disruptutividade, ou seja, a capacidade de destruição instantânea de uma atividade. Os agentes não foram ou não serão capazes de enfrentar esta mudança, se não estiverem se preparando desde já.
As empresas têm um quê de ludismo , são refratárias as modificações sejam elas, pequenas ou grandes. Acontece que esta revolução não se dá em pequenas escalas, elas são mundiais, atemporais, sem fronteiras e sem regulações governamentais. Em relação a esta última, vale dizer que, sem regulação diz respeito a formas de controles que neste caso, são muito mais amplas e democráticas.
É urgente, portanto, que as empresas imobiliárias estejam cientes da proximidade destas alterações afim de preservar seus negócios. Elas precisam estar preparadas para novas formas de negociar e novas formas de firmar seus empreendimentos para que no futuro não desapareçam.

1. Bigdata é a disponibilidade imensa de dados coletados por sensores que podem ser analisados usando algoritmos estatísticos capazes de fornecer bases de rastreamento de atividades de pessoas, dados ou objetos. A blockchain (também conhecido como “o protocolo da confiança”) é uma tecnologia de registro distribuído que visa a descentralização como medida de segurança. São bases de registros e dados distribuídos e compartilhados que têm a função de criar um índice global para todas as transações que ocorrem em um determinado mercado. Funciona como um livro-razão, só que de forma pública, compartilhada e universal, que cria consenso e confiança na comunicação direta entre duas partes, ou seja, sem o intermédio de terceiros. Está constantemente crescendo à medida que novos blocos completos são adicionados a ela por um novo conjunto de registros. Os blocos são adicionados à blockchain de modo linear e cronológico. Cada nó – qualquer computador que conectado à essa rede tem a tarefa de validar e repassar transações – obtém uma cópia da blockchain após o ingresso na rede. A blockchain possui informação completa sobre endereços e saldos diretamente do bloco gênese até o bloco mais recentemente concluído. OIT a internet das coisas é a conexão de objetos em tempo real, possibilitando o acesso a tudo e a todos.
http://blog.mercatorio.com.br/2018/07/26/a-blockchain-vai-acabar-com-os-cartorios/. Luiz Neto, líder do Corporate Innovation no Vale do Silício.

2. Criptomoedas são moedas digitais, tais como bitcoin e etherium.

3. O ludismo foi um movimento dentro da revolução industrial inglesa que se opunha a mecanização dos teares. Foram suplantados e passaram ao rodapé da história.


ARQUITETURA: AI VERSUS BN

ARQUITETURA: A.I VERSUS B.N.

A idade da pedra não acabou por falta de pedra!
Zaki Yamani

Uma notícia recente deveria ter trazido preocupação a todos que de alguma maneira estão envolvidos com a arquitetura, a rigor, o país inteiro: A partir de 2025(daqui a 7 anos) 25% das construções em Dubai deverão ser “IMPRESSAS”.
Somente estas linhas deveriam ter posto em alerta todos os setores comprometidos com a construção civil. Mas não é o que vemos por aí.
A “pólis” é o espaço onde as pessoas vivem, se relacionam, trabalham e negociam.
O arquiteto existe para prover a devida proteção as intempéries a estas pessoas, que vivem sob algum telhado. A “pólis” implica em um compromisso de todos com todos e com tudo. Aqueles que não se envolvem, os gregos os denominavam idiotas. Aparentemente não há falta deles no Brasil.
A chamada quarta revolução industrial, não é tão somente uma revolução industrial, ela é uma revolução que afetará todos os ramos de atividade humana com um impacto e velocidade, nunca vistos.
INDUSTRIA 4.0, é o nome pelo qual esta revolução está se tornando conhecida. Seu nome, indústria, guarda mais relação com a engenhosidade do que propriamente com a fábrica. Desde 2011, ela é uma estratégia do governo alemão para seus setores de vanguarda industrial, mas seus impactos já afetam a vida comum das pessoas.
Afinal o que é esta revolução?
A humanidade já sofreu inúmeras revoluções que modificaram seu trajeto. Mas de forma mais simplista, a primeira revolução industrial, seria a revolução feita a partir do vapor, a segunda a partir da eletricidade, a terceira a dos computadores. Uma característica presente em todas elas, é o tempo. A primeira levou pouco mais de 150 anos para ser totalmente espalhada para o globo. A segunda pouco mais de 30 anos e a terceira apenas 10. Mas está revolução acontece em tempo real, integrando todas as áreas do conhecimento: tudo ao mesmo tempo, agora!
Klaus Schwab, o criador do “Fórum de Davos”, autor do livro, “A Quarta Revolução Industrial”, de 2015, nos convida a uma profunda reflexão sobre os impactos e caminhos desta revolução. Importantes informações e sobretudo alertas para governos, empresas e pessoas sobre os caminhos do futuro próximo.
Bom, o que é que nos temos a ver com isto?

Tudo, simplesmente tudo. Uma vez que estamos inseridos numa economia globalizada, tudo que afeta um país de alguma forma nos afeta. E esta revolução tem em seu DNA, um terremoto de inovações e ações disruptivas. Portanto a Industria 4.0 diz respeito não ao nosso futuro, mas fala ao presente.
Tudo o que diz respeito a cidade, diz ao arquiteto, em alguns casos ao urbanista (não são a mesma coisa!) portanto está revolução tem e trará impactos profundos ao setor não só construtivo, imobiliário, tabelionaria e bem como a todos os setores de alguma forma ligados a produção da arquitetura.
O Brasil é um dos raros países onde uma burocracia cartorial ainda existe. A compra e venda de imóveis, por exemplo, tem que necessariamente ser validada pela assinatura do cartório. O processo é burocrático, lento e caro. Novas tecnologias devem varrer esta atividade em breve, através de uma nova tecnologia de validação, a blockchain, sem entraves burocráticos, imediata e barata.
São tímidas as ações do governo para o setor, as organizações industriais tais como CNI e Senai tem procurado ganhar pontos na corrida, mas sem que isto seja a estratégia de Estado, os esforços serão grandes e os resultados mínimos. O Espirito Santo, talvez seja o estado com uma visão melhor para a situação. A UNICAMP, já tem setores preocupados e implantou recentemente cursos voltados a está revolução.
Acontece que, como nos alerta Schwab, o gap agora pode ser grande e em certa medida intransponível, dada a capacidade disruptiva e a velocidade em que ela ocorre. Essa talvez seja a mais ameaçadora de suas características, como dito na epigrafe, não foi a falta de Pedra que impediu as revoluções ocorridas no neolítico.
Grande parte da indústria brasileira vive ainda sobe a égide da 2 revolução, a elétrica! Existem setores já voltados a 4.0, tais como a automobilística. Mas ainda não provocou um arrasto para as modificações necessárias a todos os setores.
O Brasil vive um desafio sem precedente, na área habitacional, que é a falta de acomodações adequadas para 7 milhões de pessoas. O problema é prevalente, esse déficit vem acontecendo a décadas e sem que uma solução seja encontrada.
O Brasil parece querer utilizar a B.N (burrice natural) para resolver problemas que somente a Inteligência Artificial é capaz de lidar. A A.I é uma forma de tecnologia capaz de tratar um número enorme de dados e enxergar na miríade de números algum significado que seja importante. A área de advocacia vem experimentando os avanços produzidos pelo Dr. Watson da IBM, que o digam centenas de advogados dispensados de suas funções de analise de processos, que esta tecnologia proporciona.
A B.N tem agido de forma a impedir que vejamos num mar de oportunidades que a revolução digital está promovendo aquelas que nos interessam e que sejam capazes de solucionar graves problemas que o país tem.
A B.N (burrice natural) está por trás de todos os processos de burocracia que atormentam o cidadão, que é tratado, com desprezo pelas instituições.
Como muito bem coloca Ronaldo Lemos (Folha de SP 3.dez.2018) a GovTech é uma solução fácil, barata e ágil para desburocratização dos processos de relação entre governos e cidadãos.
Sem não olharmos com preocupação, temor e interesse seremos pegos desprevenidos como o pintor com sua brocha na escada, quando a escada é retirada. O tempo é implacável e não perdoa aqueles que em momentos tormentosos não tomam a devida posição (Dante cuidou disto na divina comédia, relegando a um círculo do Inferno aqueles que adotam a neutralidade).
A construção civil, como sabemos, é capaz de gerar uma quantidade enorme de empregos, dada a sua extensa corrente de envolvidos no processo construtivo. Corremos o risco de ver milhares de empregos evaporarem nesta revolução antes que, tenhamos dado a oportunidade a estas pessoas.
A notícia de Dubai nos obrigaria a olhar este país, como exemplo, nesta área, para focar nos problemas da construção civil. Programas “Minha Casa, Minha Vida”, ainda que seja uma forma efetiva de resolver o problema, apresenta problemas do tamanho do país. Má qualidade da obra, lentidão, problemas pós obra e custos são recorrentes nestas obras. A implantação de projetos e programas de impressão 3D destas residências, poderia minorar em muito a falta de habitação.
A luta entre A.I. e B.N. não é e não será uma luta fácil. Os idiotas não podem ganhar!