ARQUITETURA E A TECNOLOGIA 5G

ARQUITETURA E A 5G

Os arquitetos em geral se gabam de estarem na vanguarda das tecnologias. Não é isto que parece estar acontecendo agora. Estamos no limiar de uma revolução será comparável a invenção da imprensa ou a introdução da eletricidade em nossas casas. Entretanto poucos estão se dando conta dos impactos que as novas tecnologias terão em nossas vidas em pouquíssimos anos.
A pergunta é simples; arquitetos estão preparados para as inovações que estão ocorrendo? Nossas casas estão sendo preparadas para as tecnologias que deverão embarcar todos os aparelhos por nós utilizados?
A resposta é um sonoro NÃO!
Nossas casas e escritórios são mal adaptadas até para a eletricidade (que ao contrário do feng shui é a única energia que passa pela sua moradia). Não é incomum encontrarmos dormitórios com uma ou duas tomadas, somente. Arquitetos e engenheiros elétricos não se deram cota que todo nosso futuro é elétrico. Ou seja, a nossa casa e escritório será cada vez mais dependente da energia elétrica, seja ela fornecida pela concessionaria ou produzida localmente.
A revolução que se avizinha é a 5G, ela tem 100 vezes a velocidade da atual, tem baixa latência¹ e robustez o que significa que inúmeros aparelhos serão conectados sem que isto afete a rede. A habitação, seja ela moradia ou trabalho, deverá estar adaptada a ela. Sabemos que aquilo que está feito é mais difícil de se preparar, mas aquilo que está preparado barateia substancialmente as adaptações necessárias.
A comunicação e conexão será omnipresente, todos os aparelhos serão conectados, na chamada IOT (internet of Things, ou a Internet das Coisas). Para isto nossos habitáculos deverão estar condicionados as diretrizes de redes e comunicações. Isto em principio significa que teremos que revisar todas as instalações elétricas e de redes de nossas casas e escritórios. Até nossa rede hidráulica e de esgotos poderão estar conectadas, poderemos ligar e desligar nosso banho a distância, desligar uma torneira que esquecemos ligadas ou fechar a janela diante da eminência de uma chuva.
Arquiteto trabalha ou deveria trabalhar com o sentido etimológico da palavra projeto. Lançar a diante, prever, precaver para que seu projeto não seja apenas um fóssil arquitetônico.
Esta revolução afetará tudo e a todos e sem o preparo seremos atropelados por ela. Não temos o direito de nos afastarmos destas questões. Volto ao assunto em breve!

¹. Período de latência é o tempo de resposta dos equipamentos. Latência é o tempo que passa do momento em que as informações são enviadas de um dispositivo até que possam ser usadas pelo destinatário. A rigor, você andando, com seu carro, inexistindo outros, por uma avenida que todos os sinais estivessem abertos para você. As conexões passam a ser imediatas.


INDUSTRIA 4.0 E OS IMÓVEIS

INDUSTRIA 4.0 E OS IMÓVEIS

A confiança foi a base para a constituição de uma das mais persistente forma de negócio criada pelos seres humanos; o dinheiro. No século VI AEC, numa região onde hoje se encontra a Turquia, Creso, o rei da Lídia, propõe a cunhagem de moedas, uma forma revolucionaria de comercializar bens e propriedades. O mercado nasce ali.
A confiança deriva do fato de se crer que a aquele pedaço de metal, seja ele ouro, prata ou cobre, seja a referência confiável a um valor abstrato. Esta crença possibilitou o nascimento do papel moeda, cujo valor é na verdade a crença de que ele vale algo e que este valor é aceito por todos, indivíduos, empresas ou países.
Antigamente (isto já no século XX) o valor correspondia a uma determinada quantidade de ouro depositado na Casa da Moeda. Esse valor hoje é submetido a variações do mercado, sendo que ele estabelece o quanto vale.
Portanto a confiança é peça fundamental nas negociações humanas. Sem ela não poderia haver os negócios, o comercio nem um capitalismo.
É preciso lembrar que a escrita nasce não do desejo de se contar histórias, mas na necessidade de contar coisas e dar uma relação social aos bens. A escrita se inicia, na contabilidade e não na literatura. O Código de Hamurabi, um dos mais antigos conjuntos de leis, trata a propriedade de imóveis e de outros objetos, não só no sentido, de expressar a sua propriedade por alguém, mas a decorrência que aquele bem tinha em seu meio social.
Numa das primeiras tabuletas de barro encontradas havia uma expressão: vivemos épocas de grandes transformações. Essas transformações foram as grandes revoluções que trouxeram a humanidade até o estágio atual.
Agricultura, dinheiro, imprensa, o vapor, a eletricidade e os computadores representam estas grandes transformações. Agora mais do nunca essas profundas e radicais alterações das estruturas de comercio e mercado estão se alterando em velocidades estonteantes.
Dentre essas revoluções em curso, uma que pode impactar de forma mais disruptiva e abrangente é a Industria 4.0.
INDUSTRIA 4.0 é uma revolução, disparada a partir de 2011, na Alemanha inicialmente e posteriormente em outros países.
Essencialmente trata-se da aplicação das inovações obtidas nos últimos anos, IA (inteligência artificial), nanotecnologia, computação nas nuvens, bigdata, blockchain , IOT¹ (Internet of Things, Internet das Coisas).
Essas aplicações são tomadas não mais separadamente, mas em conjunto e em tempo real.
Tudo e todos serão afetados a curto, curtíssimo prazo. E as chances perdidas não serão recuperadas.
Como todos os campos serão afetados, os imóveis, suas negociações de compra e venda, valores e registros serão alteradas de maneira profunda em pouquíssimos anos.
É assustador a falta de atenção dos governos em todas as esferas e as atuações privadas são bastante modestas para a envergadura e a dimensão do país.
Por um paradoxo, os imóveis são exatamente aquilo que a etimologia diz; aquele que fica parado, sem movimento. A natureza desta revolução é exatamente ao contrário, extremamente dinâmica e instantânea.
As inovações estão ocorrendo em todos os campos e as oportunidades estão cada vez mais ao alcance das mãos, ou melhor aos toques do teclado. Praticamente toda e qualquer operação pode ser dinamizada através de algoritmos e dos aplicativos que vão direto aos smartphones.
A compra e venda de imóveis não está fora do alcance desta revolução. É realidade em alguns países e em breve deve bater as nossas portas.
IA e a tecnologia Blockchain vão revolucionar a forma como vendemos e compramos os imóveis. Entender um pouco destas tecnologias é uma forma efetiva de proteger os negócios. E aqui vai um alerta, por vezes achamos que estas transformações vão demorar a se abater sobre nós. Veja o caso do sapateiro. De forma muito rápida esta atividade acabou por desaparecer. Restam uns poucos abnegados. Os taxis estão enfrentando uma concorrência absurda e olhando um futuro muito próximo a tendência e o seu desaparecimento.
Os advogados terão um mercado extremamente reduzidos pela IA. Hoje alguns escritórios, já no Brasil, utilizando esta tecnologia, demitiram, num caso, 150 profissionais substituindo por análises feitas por algoritmos que podem em segundos analisar milhares de casos e encontrar a melhor forma de proceder no caso. Ao advogado resta dar redação final e acompanhar o caso.
A disponibilidade de dados em grande escala, os “bigdata” serão outra forma de se ver os compradores e os imóveis. A possibilidade de varrer informações e encontrar entre milhares de opções a melhor para aquele determinado cliente irá impactar de maneira definitiva a compra e venda.
O blockchain é uma tecnologia de livro razão, ou seja, todas as transações são feitas pelas partes e não há terceiros. Ela oferece alta confiabilidade, segurança, acompanhamento de toda as transações, desburocratizada, sem interferência de terceiros (cartórios, bancos e governos) imunidade e rapidez
Esta tecnologia irá disruptir [sic] com o modelo que os cartórios atuam pois ela age como um livro de contas digital, confiável, imutável, visível para todos os participantes, que mostra todos os elementos da transação de forma transparente e por um custo extremamente barato.
As transações imobiliárias têm uma dependência de uma rede de confiança que bem ou mal vem funcionado a séculos. Mas isto está prestes a sofrer uma reviravolta de proporções catastróficas.
Assim como advogados, agentes de seguro, funcionários bancários os corretores e tabeliões correm o risco de um desaparecimento total. No caso dos tabeliões não vão deixar saudades.
A utilização do blockchain e das chamadas criptomoedas vão levar o setor, em pouquíssimo tempo, a condições de alto risco.
A revolução da INDUSTRIA 4.0 tem uma característica própria das revoluções que é a chamada destruição criativa, que é, o desaparecimento de uma atividade e sua substituição por outra. Outra característica é sua disruptutividade, ou seja, a capacidade de destruição instantânea de uma atividade. Os agentes não foram ou não serão capazes de enfrentar esta mudança, se não estiverem se preparando desde já.
As empresas têm um quê de ludismo , são refratárias as modificações sejam elas, pequenas ou grandes. Acontece que esta revolução não se dá em pequenas escalas, elas são mundiais, atemporais, sem fronteiras e sem regulações governamentais. Em relação a esta última, vale dizer que, sem regulação diz respeito a formas de controles que neste caso, são muito mais amplas e democráticas.
É urgente, portanto, que as empresas imobiliárias estejam cientes da proximidade destas alterações afim de preservar seus negócios. Elas precisam estar preparadas para novas formas de negociar e novas formas de firmar seus empreendimentos para que no futuro não desapareçam.

1. Bigdata é a disponibilidade imensa de dados coletados por sensores que podem ser analisados usando algoritmos estatísticos capazes de fornecer bases de rastreamento de atividades de pessoas, dados ou objetos. A blockchain (também conhecido como “o protocolo da confiança”) é uma tecnologia de registro distribuído que visa a descentralização como medida de segurança. São bases de registros e dados distribuídos e compartilhados que têm a função de criar um índice global para todas as transações que ocorrem em um determinado mercado. Funciona como um livro-razão, só que de forma pública, compartilhada e universal, que cria consenso e confiança na comunicação direta entre duas partes, ou seja, sem o intermédio de terceiros. Está constantemente crescendo à medida que novos blocos completos são adicionados a ela por um novo conjunto de registros. Os blocos são adicionados à blockchain de modo linear e cronológico. Cada nó – qualquer computador que conectado à essa rede tem a tarefa de validar e repassar transações – obtém uma cópia da blockchain após o ingresso na rede. A blockchain possui informação completa sobre endereços e saldos diretamente do bloco gênese até o bloco mais recentemente concluído. OIT a internet das coisas é a conexão de objetos em tempo real, possibilitando o acesso a tudo e a todos.
http://blog.mercatorio.com.br/2018/07/26/a-blockchain-vai-acabar-com-os-cartorios/. Luiz Neto, líder do Corporate Innovation no Vale do Silício.

2. Criptomoedas são moedas digitais, tais como bitcoin e etherium.

3. O ludismo foi um movimento dentro da revolução industrial inglesa que se opunha a mecanização dos teares. Foram suplantados e passaram ao rodapé da história.


ARQUITETURA: AI VERSUS BN

ARQUITETURA: A.I VERSUS B.N.

A idade da pedra não acabou por falta de pedra!
Zaki Yamani

Uma notícia recente deveria ter trazido preocupação a todos que de alguma maneira estão envolvidos com a arquitetura, a rigor, o país inteiro: A partir de 2025(daqui a 7 anos) 25% das construções em Dubai deverão ser “IMPRESSAS”.
Somente estas linhas deveriam ter posto em alerta todos os setores comprometidos com a construção civil. Mas não é o que vemos por aí.
A “pólis” é o espaço onde as pessoas vivem, se relacionam, trabalham e negociam.
O arquiteto existe para prover a devida proteção as intempéries a estas pessoas, que vivem sob algum telhado. A “pólis” implica em um compromisso de todos com todos e com tudo. Aqueles que não se envolvem, os gregos os denominavam idiotas. Aparentemente não há falta deles no Brasil.
A chamada quarta revolução industrial, não é tão somente uma revolução industrial, ela é uma revolução que afetará todos os ramos de atividade humana com um impacto e velocidade, nunca vistos.
INDUSTRIA 4.0, é o nome pelo qual esta revolução está se tornando conhecida. Seu nome, indústria, guarda mais relação com a engenhosidade do que propriamente com a fábrica. Desde 2011, ela é uma estratégia do governo alemão para seus setores de vanguarda industrial, mas seus impactos já afetam a vida comum das pessoas.
Afinal o que é esta revolução?
A humanidade já sofreu inúmeras revoluções que modificaram seu trajeto. Mas de forma mais simplista, a primeira revolução industrial, seria a revolução feita a partir do vapor, a segunda a partir da eletricidade, a terceira a dos computadores. Uma característica presente em todas elas, é o tempo. A primeira levou pouco mais de 150 anos para ser totalmente espalhada para o globo. A segunda pouco mais de 30 anos e a terceira apenas 10. Mas está revolução acontece em tempo real, integrando todas as áreas do conhecimento: tudo ao mesmo tempo, agora!
Klaus Schwab, o criador do “Fórum de Davos”, autor do livro, “A Quarta Revolução Industrial”, de 2015, nos convida a uma profunda reflexão sobre os impactos e caminhos desta revolução. Importantes informações e sobretudo alertas para governos, empresas e pessoas sobre os caminhos do futuro próximo.
Bom, o que é que nos temos a ver com isto?

Tudo, simplesmente tudo. Uma vez que estamos inseridos numa economia globalizada, tudo que afeta um país de alguma forma nos afeta. E esta revolução tem em seu DNA, um terremoto de inovações e ações disruptivas. Portanto a Industria 4.0 diz respeito não ao nosso futuro, mas fala ao presente.
Tudo o que diz respeito a cidade, diz ao arquiteto, em alguns casos ao urbanista (não são a mesma coisa!) portanto está revolução tem e trará impactos profundos ao setor não só construtivo, imobiliário, tabelionaria e bem como a todos os setores de alguma forma ligados a produção da arquitetura.
O Brasil é um dos raros países onde uma burocracia cartorial ainda existe. A compra e venda de imóveis, por exemplo, tem que necessariamente ser validada pela assinatura do cartório. O processo é burocrático, lento e caro. Novas tecnologias devem varrer esta atividade em breve, através de uma nova tecnologia de validação, a blockchain, sem entraves burocráticos, imediata e barata.
São tímidas as ações do governo para o setor, as organizações industriais tais como CNI e Senai tem procurado ganhar pontos na corrida, mas sem que isto seja a estratégia de Estado, os esforços serão grandes e os resultados mínimos. O Espirito Santo, talvez seja o estado com uma visão melhor para a situação. A UNICAMP, já tem setores preocupados e implantou recentemente cursos voltados a está revolução.
Acontece que, como nos alerta Schwab, o gap agora pode ser grande e em certa medida intransponível, dada a capacidade disruptiva e a velocidade em que ela ocorre. Essa talvez seja a mais ameaçadora de suas características, como dito na epigrafe, não foi a falta de Pedra que impediu as revoluções ocorridas no neolítico.
Grande parte da indústria brasileira vive ainda sobe a égide da 2 revolução, a elétrica! Existem setores já voltados a 4.0, tais como a automobilística. Mas ainda não provocou um arrasto para as modificações necessárias a todos os setores.
O Brasil vive um desafio sem precedente, na área habitacional, que é a falta de acomodações adequadas para 7 milhões de pessoas. O problema é prevalente, esse déficit vem acontecendo a décadas e sem que uma solução seja encontrada.
O Brasil parece querer utilizar a B.N (burrice natural) para resolver problemas que somente a Inteligência Artificial é capaz de lidar. A A.I é uma forma de tecnologia capaz de tratar um número enorme de dados e enxergar na miríade de números algum significado que seja importante. A área de advocacia vem experimentando os avanços produzidos pelo Dr. Watson da IBM, que o digam centenas de advogados dispensados de suas funções de analise de processos, que esta tecnologia proporciona.
A B.N tem agido de forma a impedir que vejamos num mar de oportunidades que a revolução digital está promovendo aquelas que nos interessam e que sejam capazes de solucionar graves problemas que o país tem.
A B.N (burrice natural) está por trás de todos os processos de burocracia que atormentam o cidadão, que é tratado, com desprezo pelas instituições.
Como muito bem coloca Ronaldo Lemos (Folha de SP 3.dez.2018) a GovTech é uma solução fácil, barata e ágil para desburocratização dos processos de relação entre governos e cidadãos.
Sem não olharmos com preocupação, temor e interesse seremos pegos desprevenidos como o pintor com sua brocha na escada, quando a escada é retirada. O tempo é implacável e não perdoa aqueles que em momentos tormentosos não tomam a devida posição (Dante cuidou disto na divina comédia, relegando a um círculo do Inferno aqueles que adotam a neutralidade).
A construção civil, como sabemos, é capaz de gerar uma quantidade enorme de empregos, dada a sua extensa corrente de envolvidos no processo construtivo. Corremos o risco de ver milhares de empregos evaporarem nesta revolução antes que, tenhamos dado a oportunidade a estas pessoas.
A notícia de Dubai nos obrigaria a olhar este país, como exemplo, nesta área, para focar nos problemas da construção civil. Programas “Minha Casa, Minha Vida”, ainda que seja uma forma efetiva de resolver o problema, apresenta problemas do tamanho do país. Má qualidade da obra, lentidão, problemas pós obra e custos são recorrentes nestas obras. A implantação de projetos e programas de impressão 3D destas residências, poderia minorar em muito a falta de habitação.
A luta entre A.I. e B.N. não é e não será uma luta fácil. Os idiotas não podem ganhar!