INDUSTRIA 4.0 E OS IMÓVEIS

A confiança foi a base para a constituição de uma das mais persistente forma de negócio criada pelos seres humanos; o dinheiro. No século VI AEC, numa região onde hoje se encontra a Turquia, Creso, o rei da Lídia, propõe a cunhagem de moedas, uma forma revolucionaria de comercializar bens e propriedades. O mercado nasce ali.
A confiança deriva do fato de se crer que a aquele pedaço de metal, seja ele ouro, prata ou cobre, seja a referência confiável a um valor abstrato. Esta crença possibilitou o nascimento do papel moeda, cujo valor é na verdade a crença de que ele vale algo e que este valor é aceito por todos, indivíduos, empresas ou países.
Antigamente (isto já no século XX) o valor correspondia a uma determinada quantidade de ouro depositado na Casa da Moeda. Esse valor hoje é submetido a variações do mercado, sendo que ele estabelece o quanto vale.
Portanto a confiança é peça fundamental nas negociações humanas. Sem ela não poderia haver os negócios, o comercio nem um capitalismo.
É preciso lembrar que a escrita nasce não do desejo de se contar histórias, mas na necessidade de contar coisas e dar uma relação social aos bens. A escrita se inicia, na contabilidade e não na literatura. O Código de Hamurabi, um dos mais antigos conjuntos de leis, trata a propriedade de imóveis e de outros objetos, não só no sentido, de expressar a sua propriedade por alguém, mas a decorrência que aquele bem tinha em seu meio social.
Numa das primeiras tabuletas de barro encontradas havia uma expressão: vivemos épocas de grandes transformações. Essas transformações foram as grandes revoluções que trouxeram a humanidade até o estágio atual.
Agricultura, dinheiro, imprensa, o vapor, a eletricidade e os computadores representam estas grandes transformações. Agora mais do nunca essas profundas e radicais alterações das estruturas de comercio e mercado estão se alterando em velocidades estonteantes.
Dentre essas revoluções em curso, uma que pode impactar de forma mais disruptiva e abrangente é a Industria 4.0.
INDUSTRIA 4.0 é uma revolução, disparada a partir de 2011, na Alemanha inicialmente e posteriormente em outros países.
Essencialmente trata-se da aplicação das inovações obtidas nos últimos anos, IA (inteligência artificial), nanotecnologia, computação nas nuvens, bigdata, blockchain , IOT¹ (Internet of Things, Internet das Coisas).
Essas aplicações são tomadas não mais separadamente, mas em conjunto e em tempo real.
Tudo e todos serão afetados a curto, curtíssimo prazo. E as chances perdidas não serão recuperadas.
Como todos os campos serão afetados, os imóveis, suas negociações de compra e venda, valores e registros serão alteradas de maneira profunda em pouquíssimos anos.
É assustador a falta de atenção dos governos em todas as esferas e as atuações privadas são bastante modestas para a envergadura e a dimensão do país.
Por um paradoxo, os imóveis são exatamente aquilo que a etimologia diz; aquele que fica parado, sem movimento. A natureza desta revolução é exatamente ao contrário, extremamente dinâmica e instantânea.
As inovações estão ocorrendo em todos os campos e as oportunidades estão cada vez mais ao alcance das mãos, ou melhor aos toques do teclado. Praticamente toda e qualquer operação pode ser dinamizada através de algoritmos e dos aplicativos que vão direto aos smartphones.
A compra e venda de imóveis não está fora do alcance desta revolução. É realidade em alguns países e em breve deve bater as nossas portas.
IA e a tecnologia Blockchain vão revolucionar a forma como vendemos e compramos os imóveis. Entender um pouco destas tecnologias é uma forma efetiva de proteger os negócios. E aqui vai um alerta, por vezes achamos que estas transformações vão demorar a se abater sobre nós. Veja o caso do sapateiro. De forma muito rápida esta atividade acabou por desaparecer. Restam uns poucos abnegados. Os taxis estão enfrentando uma concorrência absurda e olhando um futuro muito próximo a tendência e o seu desaparecimento.
Os advogados terão um mercado extremamente reduzidos pela IA. Hoje alguns escritórios, já no Brasil, utilizando esta tecnologia, demitiram, num caso, 150 profissionais substituindo por análises feitas por algoritmos que podem em segundos analisar milhares de casos e encontrar a melhor forma de proceder no caso. Ao advogado resta dar redação final e acompanhar o caso.
A disponibilidade de dados em grande escala, os “bigdata” serão outra forma de se ver os compradores e os imóveis. A possibilidade de varrer informações e encontrar entre milhares de opções a melhor para aquele determinado cliente irá impactar de maneira definitiva a compra e venda.
O blockchain é uma tecnologia de livro razão, ou seja, todas as transações são feitas pelas partes e não há terceiros. Ela oferece alta confiabilidade, segurança, acompanhamento de toda as transações, desburocratizada, sem interferência de terceiros (cartórios, bancos e governos) imunidade e rapidez
Esta tecnologia irá disruptir [sic] com o modelo que os cartórios atuam pois ela age como um livro de contas digital, confiável, imutável, visível para todos os participantes, que mostra todos os elementos da transação de forma transparente e por um custo extremamente barato.
As transações imobiliárias têm uma dependência de uma rede de confiança que bem ou mal vem funcionado a séculos. Mas isto está prestes a sofrer uma reviravolta de proporções catastróficas.
Assim como advogados, agentes de seguro, funcionários bancários os corretores e tabeliões correm o risco de um desaparecimento total. No caso dos tabeliões não vão deixar saudades.
A utilização do blockchain e das chamadas criptomoedas vão levar o setor, em pouquíssimo tempo, a condições de alto risco.
A revolução da INDUSTRIA 4.0 tem uma característica própria das revoluções que é a chamada destruição criativa, que é, o desaparecimento de uma atividade e sua substituição por outra. Outra característica é sua disruptutividade, ou seja, a capacidade de destruição instantânea de uma atividade. Os agentes não foram ou não serão capazes de enfrentar esta mudança, se não estiverem se preparando desde já.
As empresas têm um quê de ludismo , são refratárias as modificações sejam elas, pequenas ou grandes. Acontece que esta revolução não se dá em pequenas escalas, elas são mundiais, atemporais, sem fronteiras e sem regulações governamentais. Em relação a esta última, vale dizer que, sem regulação diz respeito a formas de controles que neste caso, são muito mais amplas e democráticas.
É urgente, portanto, que as empresas imobiliárias estejam cientes da proximidade destas alterações afim de preservar seus negócios. Elas precisam estar preparadas para novas formas de negociar e novas formas de firmar seus empreendimentos para que no futuro não desapareçam.

1. Bigdata é a disponibilidade imensa de dados coletados por sensores que podem ser analisados usando algoritmos estatísticos capazes de fornecer bases de rastreamento de atividades de pessoas, dados ou objetos. A blockchain (também conhecido como “o protocolo da confiança”) é uma tecnologia de registro distribuído que visa a descentralização como medida de segurança. São bases de registros e dados distribuídos e compartilhados que têm a função de criar um índice global para todas as transações que ocorrem em um determinado mercado. Funciona como um livro-razão, só que de forma pública, compartilhada e universal, que cria consenso e confiança na comunicação direta entre duas partes, ou seja, sem o intermédio de terceiros. Está constantemente crescendo à medida que novos blocos completos são adicionados a ela por um novo conjunto de registros. Os blocos são adicionados à blockchain de modo linear e cronológico. Cada nó – qualquer computador que conectado à essa rede tem a tarefa de validar e repassar transações – obtém uma cópia da blockchain após o ingresso na rede. A blockchain possui informação completa sobre endereços e saldos diretamente do bloco gênese até o bloco mais recentemente concluído. OIT a internet das coisas é a conexão de objetos em tempo real, possibilitando o acesso a tudo e a todos.
http://blog.mercatorio.com.br/2018/07/26/a-blockchain-vai-acabar-com-os-cartorios/. Luiz Neto, líder do Corporate Innovation no Vale do Silício.

2. Criptomoedas são moedas digitais, tais como bitcoin e etherium.

3. O ludismo foi um movimento dentro da revolução industrial inglesa que se opunha a mecanização dos teares. Foram suplantados e passaram ao rodapé da história.