“TIOPATINIZAÇÃO” DA ARQUITETURA”

-Um amigo alertou: não escreva sobre arquitetura! Esta não é sua especialidade!
-Ao que eu respondi, de fato, minha especialidade é o inferno. Bom, dane-se, é a mesma coisa!

Ao iniciar este artigo, busquei uma palavra que pudesse descrever a situação de um tipo de arquitetura em minha cidade. Eu ia utilizando a palavra “fenômeno” phaenomenon, que por sua vez deriva do grego φαινόμενον (o que se mostra a si mesmo). Mas acabei achando uma palavra melhor para a descrição, catástrofe!
A arquitetura de Campinas, passa por uma fase das mais difíceis. A retração econômica a partir dos últimos anos, mais uma série de ERROS, tem provocado este desastre.

Mas que erros seriam estes?
Temos visto crescer nos condomínios um tipo de arquitetura, que a nosso ver representa uma coleção infindável de erros e enganos na arquitetura. Não é o objetivo deste artigo procurar culpados, mas entender como se deu a catástrofe.
Espalhou como praga um tipo de arquitetura que aqui vamos chamar de “tiopatinização” ou “banquerização” que é a construção de residências, como se fossem bancos. Numa descrição rápida, uma caixa de vidro que serve para a inserção da escada, permitindo que todos possam acompanhar a subida dos moradores ao segundo piso, ou a gerencia. Ao lado, um amplo estacionamento para 3 ou 4 carros cobertos. A porta de acesso, em geral em grandes proporções como se fossem mesmo a porta de um banco.
Este modelo, em grande parte, deriva da fachada especifica de um banco, o Personalitté do Banco Itaú.
O banco Itaú na sua fusão com o Unibanco, em outubro de 2010, tem um conflito com ações especificas dirigidas aos clientes de maior poder aquisitivo. O Itaú Personalitté foi criado exatamente para atender esta demanda, e se diferenciar de um atendimento dado pelo Uniclass, um serviço mais comum, e utilizado pelo Unibanco. A segmentação de clientes criadas a partir do ano 2000, se insere na estratégia bancaria de valorizar os clientes com maiores ativos e potenciais de lucros.
Este serviço atendia pessoa com renda acima dos R$ 7.000,00(sete mil reais). O Personalitté passou a tingir um patamar levemente acima, para pessoas na faixa dos R$ 10.000,00(dez mil reais). Para demarcar visualmente esta situação foram criados projetos que visavam diferenciar-se das tradicionais fachadas bancárias. O banco se voltou para as residências. Ou seja, um banco com cara de moradia. Este estilo condizia mais com a inclusão, cada vez maior de parcelas da população com maior renda. Você iria ao banco e se sentia em casa.
O erro começa quando os arquitetos querem fazer o caminho inverso. Morar como se vivesse em um banco. A sucessão de erros, foi criar uma gramática visual, baseada na ortografia bancaria.
Em paralelo a isto, uma nova característica de uma sociedade extremamente conectada; o exibicionismo, qual seja, expor a vida íntima a todos, de forma a marcar uma neurose narcisista e uma maneira, quase doentia, de expor seu poder. As vítimas já são conhecidas.

Quem são as vítimas?
As vítimas deste modismo, em primeiro lugar, são os próprios clientes e o que é pior é que eles pagam por isto.
Em segundo lugar a arquitetura como um todo. Campinas já foi reconhecida pelo colonial meloso que imperava na cidade em torno dos anos 60 e 70, do século passado.

AS GARAGENS

Como compreender que se gaste tanto, na construção de garagens frontais, para a guarda de veículos?
A décadas a indústria automobilística desenvolveu e desenvolve produtos e características especiais de revestimento para seus veículos. Além do fato de que eles passam grande parte de seu tempo expostos a intempéries e ao sol de um pais tropical. A garagem é utilizada para proteger o veículo do sereno! Não é meigo?
O que se esconde por trás deste erro, é a simples vontade de ostentação de massas de pessoas, que agora tem acesso ao dinheiro, mas não teve acesso a formação e a informação.
Arquitetos igualmente desinformados atendem avidamente este mercado, sem a menor reflexão ou culpa. Entrego o sonho do cliente! Mentira o que entregam é um verdadeiro pesadelo arquitetônico.
Toda casa é um sonho de seus moradores. Eles investem tempo e dinheiro na obtenção de uma casa que tenha os atributos BELEZA, CONFORTO E SEGURANÇA. Para se compreender melhor é preciso analisar estes 3 conceitos e ver como se eles se encaixam.

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